A lenda do rio dourado parte I – por Claus P. Neto

Boas noites. Devido a imprevistos de natureza duvidosa só pude escrever agora. E infelizmente nem escrevi o que eu queria. A minha intenção original era a de escrever uma crônica hoje à tarde mesmo, mas a vadiagem e a televisão (que também me deixou burro demais) me venceram e sucumbi, resignado. Vou postar o começo de uma ideia que me assaltou de forma relâmpago outro dia e que eu peço a Deus pra ter forças pra termina-la. Acredito que a ideia é interessante e a trama complicada o suficiente, mas caberá a vocês decidirem. Quanto a detalhes técnicos da história em que eu posso estar redondamente enganado, peço a sua compreensão e paciência. O pano de fundo é a antiga babilônia e apesar de eu gostar profundamente de história geral eu não sou um especialista no assunto. Se detalhes históricos estiverem errados, por favor me avisem, mais pelo meu interesse no assunto do que para correções no texto, que devido a detalhes de trama NÃO será alterado, a não ser em caso de erro ortográfico. De todo modo, muito obrigado pela sua compreensão (ou não). Aproveitem pra comentar o que vocês acharam e se vocês odeiam as fotos duplas no painel de curtidas tanto quanto nós, ajude-nos curtindo nossa página do facebook e/ou recomendando para amigos (ou inimigos, depende da sua visão do blog). Boas noites.

A lenda do rio dourado parte I 

Era uma tarde estupidamente quente. Sério. O sol iraquiano batia de forma inclemente em minha cabeça enquanto eu supervisionava as escavações. Suspirei e voltei à tenda. O prazo cedido pelo governo iraquiano para as escavações acabaria em duas semanas, e nem tínhamos chegado perto de qualquer descoberta significativa. A perspectiva do fracasso era extremamente desagradável. Significava que todo o investimento da universidade nesse sítio arqueológico havia sido por nada. Eu teria jogado no lixo quase dois anos de trabalho. E toda a minha credibilidade estaria na lama. Tirei os óculos, massageei as têmporas, e tirei a trilha de suor da minha testa com as costas da mão. Aquela região parecera tão promissora…Referências de outros textos antigos indicavam que aquele lugar poderia ter contido um importante entreposto comercial da época do primeiro império babilônico. Os registros escritos, mais os artefatos poderiam ajudar e muito a entender a economia e o cotidiano daquela época. Suspirei de novo. Não havíamos achado nada. Absolutamente nada.

Estava preso nessas meditações quando James, um dos estudantes graduados que viera comigo entrou, esbaforido. Seu cabelo castanho estava uma verdadeira bagunça, sua camiseta encharcada de suor e os seus olhos brilhavam com uma excitação enorme. “Professor. Nós achamos algo. Grande”. “Onde?”. “No setor 9”. Aquilo me pegou de surpresa. O setor 9 era o mais periférico da escavação, e até agora o que menos apresentava sinais de que daria algum resultado. No entanto era uma descoberta e significava que eu não voltaria de mãos abanando. Saímos correndo pelo sítio até chegar à região indicada. Olhei para dentro do buraco que James me apontou. Estava ali. Era a ponta de uma estela, com um desenho em baixo relevo de um homem, possivelmente um nobre. Aquilo era fantástico. Se a pedra tivesse algum registro escrito, todo o trabalho, toda a espera, toda a ansiedade haveria valido a pena. “Descobriram quando?” perguntei ao rapaz. “Hoje de manhã. Eu estava fazendo marcações no terreno e de repente vi que havia batido em alguma coisa dura.”. Assenti, com um prazer visível. “E quanto tempo até retirarmos ela para análise?”. “Três dias, talvez, para terminar de descobri-la. Talvez mais um dia para retira-la daí.”. “Ótimo, ótimo. Prossiga com o trabalho, o mais depressa e o mais cuidadosamente o possível. Depois, assim que ela estiver fora do buraco, eu quero analisa-la pessoalmente. Se ela contiver registros escritos, quero que o nosso linguista traduzindo os escritos imediatamente”. “Sim senhor”.

Acabou que a minha sorte havia sido maior do que eu esperava. Não era uma estela, mas sim várias tabuletas em pedra, o que tornava o trabalho de remoção mais simples e rápido. Todas elas estavam escritas. Excelente. A maior parte dos registros mesopotâmicos era de transações comerciais, e isso comprovaria que ali por perto poderia haver uma cidade mercantil, conforme a minha previsão. Eu mal podia conter o meu ânimo. Reportei tudo o mais rápido possível ao governo e à universidade. Tudo estava correndo perfeitamente bem.

Alguns dias depois, eu estava sentado, descansando em minha tenda, quando Frank, o linguista, entrou. “E então Frank”, comecei, “como vai o trabalho?”. “Está…interessante professor”. Aquela hesitação começou a me deixa inquieto. “Está tudo correndo bem na tradução das placas?”. “Sim, perfeitamente. Mas…é sobre o seu conteúdo que eu gostaria de conversar”. Encarei-o, apreensivo. “Bom”, começou ele, “o trabalho ainda não está completo. Terminei apenas duas das doze placas. Mas pelo aspecto e pelo que eu traduzi até agora, não são registros de transações mercantis”. Meu coração afundou. Aquela era a melhor chance de provar a veracidade da minha teoria. Ele percebeu o meu incômodo e continuou: “Eu sei que registros desse tipo eram muito importantes pra você professor e eu sinto muito. Mas o conteúdo das placas…bom, ele ainda pode interessar ao senhor”. Olhei firmemente em seus olhos, ansioso pelo anúncio. “Sou todo ouvidos”. Ele pigarreou e prosseguiu. “Tudo indica que o conteúdo é literário. Um conto, para ser mais exato”. “Em forma de poesia?”. “Aí é que está. O texto é em prosa”. Aquilo era interessantíssimo. Isso não era comum para a época. Geralmente as histórias eram contadas em forma de canção, o que levava à popularização do estilo poético. “É alguma compilação? Como a da epopeia de Gilgamesh, ou a de Marduk?”. “Não. O texto não possui nenhum caráter heroico e aparentemente é original. Olha, a razão de eu vir comentar isso com você é que isso pode ser uma grande descoberta no campo da cultura mesopotâmica. Mas o estilo e a temática são tão diferentes da usual…”. “Que podem ser uma fraude”, completei. “Exato”. Refleti por alguns instantes. Ele tinha toda a razão: poderia muito bem ser algo forjado. No entanto, não era possível ter certeza. “Escute”, prossegui, “esse é um assunto extremamente delicado. Faça o seguinte: pegue uma das tabuletas que você já traduziu e leve-a discretamente para o laboratório para o teste de carbono-14. Depois me passe o que você for traduzindo. Eu quero analisar o texto pessoalmente”. Ele assentiu e se levantou. “E Frank?”, chamei-o quando ele estava prestes a sair, “Até segunda ordem, esta conversa nunca aconteceu, entendido?”. Ele novamente assentiu e saiu.

Continua…

Por Claus P. Neto

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Brasilidez (por Aton)

Boa noite? Queiram me desculpar, mas passei esta última semana aprendendo habilidades ninjas com uma equipe altamente treinada de cabras aqui do Himalaia, e o tempo restante que não estava escalando nu as montanhas mais gélidas daqui, passei procurando o maldito que roubou o chiclete plets que mantinha a Antena da internet “funcionando”… espero que engasgue ¬¬. Mas enfim, não tive tempo de bolar uma continuação para o Prometeu ou de escrever uma crônica sobre os dias que tenho passado. Então deixei programado este pequeno soneto escrito a uma infinidade de tempos atrás.

Caso você não tenha lido os contos do prometeu, pode var as quatro partes aqui: 1234

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Brasilidez

Cadê??!…hê,
a chama desse braseiro,
desse Brasil brasileiro,
que não queima no peito por quê?

Cadê força da raça misturada?
Cadê o fogo que forja a espada?
Cadê o sangue das mãos de alguém,
que não libertou esta terra refém?

E o supremo Sol de áureo raio,
cujo coração é alentado lacaio,
não põe fim neste maldito ensaio?

Mas se o brasileiro, Brasílico for,
o Brasil, apesar de sua dor,
terá, na Brasilidez, amor…

Bom, obrigado pelo carinho que alguns demonstraram conosco. Espero que se embebedem bastante nessas festas de fim de ano, mas deixem para produzir uns bastardos no Carnaval, hein?! Enfim, curtam bastante… E se estiverem em casa (provavelmente de ressaca) para ler este post, comentem! Aproveite que este Blog ainda não foi vítima de Trolls, firsts, correntes, testemunhas de Jeová  vendedores de Herbalife ou Corintianos e deixe aqui sua mensagem! (seja uma crítica imbecil, um comentário inútil, uma corrente Spammer maldita, a palavra de Deus 7H da manhã no Domingo, promessas absurdas ou seu time, respectivamente … OU NÃO)

Até 2013…  Aton

Diálogo do planeta Terra com o Fim do mundo – por Claus P. Neto

Boas tardes a todos. Bom, como visto (e pelo menos pra mim, muito previsto) o mundo não acabou, pelo menos não ainda. Mas tomando onda nessa verdadeira onda de imbecilidade quanto ao fim de nossa espécie (e por que não dizer: do nosso planeta?) apresento-lhes esse pequeno conto. Se algum dia vocês quiserem contar uma história de como era no seu tempo aos seus netos e simplesmente não tiverem nada pra contar porque nunca verdadeiramente viveram coisas interessantes o suficiente para serem contadas, sintam-se à vontade para usar esse amontoado de palavras como exemplo de como vocês sobreviveram ao fim do mundo. De qualquer modo, Deixem-me saber o que vocês acharam! Ficar muito tempo sem receber elogios faz com que meu ego desenvolva câncer. Boas tardes.

P.S.: Desculpem o texto excruciantemente longo, mas deixem de ter preguiça e por gentileza leiam até o final. Grato.

Diálogo do planeta Terra com o fim do mundo

Tive um sonho estranho essa noite. Sonhei que estava olhando para a Terra do espaço. Olhei para o meu inseparável relógio de pulso. Marcava 23:40h do dia 20 de dezembro. Nesse ponto, eu o vi se aproximar. No início era difícil de distingui-lo, mas quando ele passou por Marte, pude ver melhor sua forma. Ou, no caso, a sua falta de forma. Era como uma espécie de nuvem escura, meio amarelada, com manchas vermelhas. À medida em que se aproximava pude ver o quanto ele era estupidamente grande. E estupidamente rápido. Quer dizer, ele atravessou toda a distância entre Marte e a Terra em questão de segundos. Quando se aproximou da Lua, parou. Pude então ver o seu rosto. Era feio, sem dúvida, mas grave, austero, sério, não o tipo de feio que você teria coragem de zombar. Não tinha expressão cruel, mas dava a entender que era implacável e que uma vez que decidisse fazer algo, por mais hediondo que fosse, faria até o fim. Ficou parado por um tempo, olhando o planeta, suspirando. Foi quando aconteceu. Do além, fendas se abriram na face do planeta, espalhando-se rapidamente. Vi depois que as fendas formavam um padrão: Elas formavam uma face. A Terra abriu seus olhos, inspirou bem fundo e começou a falar com a estranha nuvem escura:

– E aí Fim?

– E aí Mundo?- respondeu a forma – Bom, eu acho que você já sabe porque eu estou aqui.

– Sim, sim.

– Então…como vai ser?

– Não sabia que a gente tinha o direito de escolher.

– Pois é…é recente sabe? Um capricho estranho do Chefe, mas você como Ele é, não?

– Sim.

– Então, como vai ser? Chuva de meteoros, tempestade solar, buraco negro, Bode gigante de sete cabeças asturiano?

– Não sei…qual é o que vai ser mais rápido?

– Hum…acho que é o buraco negro. Peninha. Eu queria usar o bode de novo. Sempre é hilário assistir e…ops, desculpe.

– Não tem problema. Mas enfim, quanto tempo até tudo ficar pronto?

– Hum…uns doze minutos no total. Tempo de chamar o buraco negro e dele te sugar.

De novo olhei para o meu relógio de pulso. Ele marcava exatamente 23:48h. Será que seria àquele horário mesmo? Quer dizer, NAQUELE dia? O mundo prosseguiu:

– E depois…não acontece nada né?

– Bom…via de regra não. Mas sabe como é, né? Às vezes o buraco negro dá um pane. Teve uma vez em que eu fui destruir um planeta de Alfa Centauro desse jeito e ele apareceu na nebulosa de caranguejo. A sorte é que ele se chocou com um outro planeta assim que chegou, então eu não tive que viajar toda a distância pra terminar o serviço. Há também uns malucos que dizem que os buracos não funcionam porque te levam pra uma outra dimensão, mas enfim, você não vai mais estar aqui, então missão cumprida do mesmo jeito.

– NÃO, ESPERA! – clamou o planeta – eu…hã, mudei de ideia. Eu quero o bode! E uma explosão de antimatéria também não seria uma opção ruim. Ou quem sabe…

– Desculpe Terra, mas você só pode escolher uma opção. Sinto muito, mas não leve pro lado pessoal, ordens de cima. Se te faz sentir melhor eu também acho o buraco negro sem graça.

– Não, não é isso! é só que… – o mundo hesitou

– Sim?

– Eu não quero ter a menor chance de escapar entende? Eu…eu não quero continuar sabe? Eu simplesmente não aguento mais!

– Como assim?
– São esses boçais! Quer dizer, claro que eu fiz algumas besteiras…o Chefe tinha o direito de me punir, mas ELES??!! Isso beira o sadismo!
– Calma Ter…
– Sabe? Quando eram só dois era até legal. Bonitinho até. Achei que daria pra gente se dar bem. Aí a barriga da Eva começou a crescer, crescer, veio outro. Tudo bem. Três não era tão ruim. Ainda dava pra ignorar. Aí veio o quarto, o quinto, o sexto e daí não parou mais!
– Ah cara! Quer dizer, não é tão rui…
– Aí teve um dia em que eu fiquei de saco cheio. Dei um jeito de inundar tudo, mas aí teve aquele diretor de zoológico desgraçado…qual que era o nome mesmo? Ah, sim! O Noé. Enfim, aí eu…
– Wow, wow, wow, calma aí Terra. Qual é o problema? Os humanos não são tão ruins assim…quer dizer, eles são bem monótonos e bregas, mas daí até odia-los nesse nível…
O planeta suspirou. Parecia estar recuperando a calma, mas ainda assim não falou nada. Percebendo o silêncio, a nuvem de destruição continuou:
– Qual é o motivo de toda essa raiva? Hum…já sei! Eles começaram a destruir seus recursos não é? Tipo água, ar…

– Não cara! Pra falar a verdade isso até é bom. Quanto mais eles usam, menos eles têm, mais cedo eles se vão. Não, não, isso aí é problema deles, eu estou bem com isso.

– Então deve ser…
– Não. Não deve ser nada. Estou de saco cheio deles. Só isso.
– Como assim?
– Bom, como começar? Os dois primeiros já começaram mal. Quer dizer: cara, era só não comer! Mas enfim, toda essa ideia de “Ah! você precisa aproveitar a vida!” e “Ah! A gente tem que experimentar coisas novas!” e todo esse amontoado de desculpas pra eles fazerem besteiras colossais já era mais forte que eles. E daí pra frente só foi piorando: “Ah! que tal termos um segundo filho?”. “Sei não, acho que eles não vão se entender…”. “Que nada, eles vão se dar super bem…”. Ou então a decisão de construir uma torre gigante. Ou a de receber aquele cavalo de madeira. Ou então a de invadir a Rússia no inverno. Ou então…
– Espera aí! Do que você está falando?
– Da estupidez humana meu caro! É disso! Nunca vi uma raça tão estúpida ao ponto de achar que cinemas 3-D, impostos e música sertaneja valem a pena!
– E é isso que te irrita?
– Sim! Profundamente!
– E por que você se incomoda? Quer dizer, é só você não dar a mínima, eles só vivem, morrem…
– Aí é que está. Eu poderia até rir de tudo isso que eles fazem, sabe? Mas…
– Mas?
– É a prepotência. De se darem muito o valor. Acharem que eles mesmos são bons, que eles e a sua existência valem a pena só por si próprios. E outra…por algum tempo eu tive esperança, sabe? De que melhorasse. De que eles entendessem, se respeitassem, evoluíssem direito, alcançassem o seu potencial…Eu torcia por eles. Até ver que não tem jeito. Nunca vai ter.

A nuvem olhou consternada. Aquilo era o desabafo de um mundo cansado, frustrado, amargo e sem esperanças. O Fim encarou aquele planeta com uma empatia que se via que era verdadeira, via-se que ele sabia o que sua vítima sentia.

– Bom – prosseguiu o carrasco – o buraco está quase pronto. Mais uns cinco minutos.
– Beleza.
– Só queria dizer que…eu sinto muito. Por tudo.
– Não sinta.
– Não, é sério. Quando você está nesse trabalho muito tempo…bom, é difícil pra mim também entende? Ver todos esses mundos se indo…eu realmente queria que vocês tivessem outra chance.
– Obrigado. Mas são designações do Chefe. Fazer o quê?
– Pois é.

Ficou um silêncio desconfortável por algum tempo, até que de repente eu vi um ponto muito escuro. E pequeno. Sério, muito pequeno. Quer dizer, AQUILO era o buraco negro? Uma força mortal capaz de destruir planetas…do tamanho de um poodle toy? Estranho. O planeta pigarreou e disse:
– Bom, é isso.
– É. Prazer em te conhecer.
– Igualmente.
– Quem sabe a gente se encontra outro dia…
– Sem ofensa, mas eu espero que não.
– Certo.

O Fim tomou o buraco nas mãos e o aproximou da Terra. Aquilo era realmente forte, tanto que eu senti ele me puxando. O mundo fechou os olhos. Estava em paz. Finalmente ia ter seu merecido descanso. O buraco negro começou a fazer seu papel, sugando uma camada fina da atmosfera. Eu olhei no meu relógio: 10 segundos para o dia 21. Quem diria? Os maias estavam certos, afinal de contas. Não pude deixar de lançar um olhar de tristeza…minha casa, meus amigos minha família…tudo sumiria. Então, a exatamente um segundo da virada do dia, um barulho de celular tocou. Olhei no meu bolso, não tinha nada, mas quando eu me voltei pra cima, eu vi o executor pegando um aparelho, estranhamente pequeno perto do seu corpo colossal.

– Só um instantinho, é o Chefe, sabe como é, a gente não pode deixar de atender.
– Tudo bem, eu espero. – Disse o planetinha condenado.
– Alô? Sim, sim. Espera aí, o quê? Mas o buraco negro já chegou e… Hum, entendo, entendo. Tudo bem, eu falo pra ele. Tchau. – Desligou o celular e continuou – Bom, eu não sei direito como falar isso pra você mas…o seu dia não é hoje.
– O QUÊ?!?!?!!?!
– Sim, eu sei, mas foi erro de digitação, sabe como é, estagiário é fogo…
– Então eu não vou morrer?!?!?!
– Hum, aparentemente não hoje. Quem está marcado é um lugar chamado Tarre. Bom, desculpa a pressa, mas ele fica a uns 100 mil anos-luz daqui e eu já estou atrasado. Mas fica o abraço cara! Foi muito bom te conhecer, até a próxima! E desculpa o engano, tá, não vai mais acontecer.

E saiu, deixando um planeta de início estupefato, depois nervoso e depois histérico. Eu gostaria de comentar tudo o que foi dito pelo nosso querido lar, mas por razões de ordem moral eu não posso fazê-lo. Logo depois da sua explosão de raiva, o mundo respirou fundo e fechou os olhos. As fendas se fecharam rapidamente e em poucos segundos ele voltou ao seu aspecto liso e azul. Acordei alguns minutos depois. Se esse sonho foi real ou não, eu não sei dizer. Só sei que eu estou muito feliz por ele ter tido o desfecho que teve. E estranhamente, eu estou com muito menos paciência com as burradas dos outros ultimamente. Vai entender.

Por Claus P. Neto

Planetinha miserável (por Aton)

Primeiramente aviso que semana que vem talvez seja difícil postar alguma coisa, pois serei forçado a fazer um retiro espiritual familiar para um mosteiro no himalaia, cujo acesso a internet é  a rádio, sendo que a antena está presa por apenas três clips, um tubo de cola bastão e um chiclete plets. E já que o fim do mundo está ai, resolvi fazer um conto diferente hoje, um pouco mais para ficção científica.

Planetinha miserável

Antes deste universo ser o que é, havia aqui, nesta mesma dimensão, um outro universo, com uma outra galáxia, na qual havia um outro mísero planetinha habitável. Lá vocês encontrariam uma espécie muito singular de animal: bípede, com pés em forma de discos, braços com duas articulações, mãos pequenas, dedos tão longos e finos que pareciam varetas, dois polegares, uma cabeça grudada diretamente no tronco, sendo esta muito larga, de forma que grandes orelhas encostavam nos ombros, e um cérebro de aproximadamente 12Kg.

Mas o que teriam esses animais de especial, além de serem estranhos? Eles possuíam no meio do peito um buraco sem qualquer função aparente. Uns o tinham do tamanho de uma bola de boliche, outros, do de uma bola de gude. Talvez algum paladino da biologia venha me atacar e dizer que é mentira, entretanto a ausência de pescoço fez desnecessária uma traqueia resistente, de forma que um canal revestido por músculos ligavam a boca ao estômago, contornando o buraco, sem que eles engasgassem.

Talvez pareça irrelevante a presença do furo para nós. Mas para eles era uma questão de suma importância: eram capazes de dominar a energia da fusão nuclear, criar antimatéria, distorcer o campo gravitacional, criar dobras dimensionais no espaço, até mesmo conseguiam transplantar mentes em “máquinas”… mas não eram capazes de entender o motivo de terem um orifício no meio do peito. Para eles o sentido disso era ainda mais crucial que o sentido da vida. Como eram capazes de entender o mais alto grau da metafísica e não conseguiam entender quem eram eles próprios?

A ruína dessa civilização foi esta: Saber todas as respostas e não entender as perguntas. Quando ainda eram primitivos, já questionavam-se quanto a utilidade daquele vazio que sentiam, o que fez com que os ancestrais tentassem preenche-lo com as coisas ao redor: pedras, comida, ossos… De forma que toda sua capacidade intelectual adveio da simples questão: “O quê me faz completo?”. Assim, cada vez mais usaram a imaginação e a criatividade para preencherem o buraco do peito, mas o faziam sem saber o porquê. Sabiam o que completava-os, mas não compreendiam o motivo de estarem antes incompletos, de terem que se completar.

Então, sem saber a pergunta correta começaram a entender que que o universo inteiro podia preenche-los, qualquer coisa poderia ser usada e aí eles surtaram… Uns usavam comida, que se estragava e morriam; uns usavam dinheiro, mas atraiam ladrões, eram roubados e se matavam; uns chegavam a negar a existência do próprio buraco, consumiam drogas e morriam no esquecimento; o ápice foi quando uma celebridade esquartejou o amante e costurou seus pedaços dentro de si… Só então quando a onda de esquartejar amantes terminou e a de animais começou é que decidiram fazer alguma coisa.

Decidiram que o universo estava errado, e não eles. Então começaram um plano maníaco: Todos deveriam distorcer o campo espacial ao redor de seus respectivos orifícios, a fim de que fosse criada uma micro ruptura dimensional dentro de si, atraindo a matéria, de forma que os cientistas fossem capazes de criar uma reorganização atômica compatível com os corpos e, assim tapá-los. Claro, possuir uma fenda dimensional não era nada comparado a uma fenda emocional.

Quando o último dos animais foi tapado perceberam o significado do que tinham feito… Não importava o vazio, mas o que era feito para preenche-lo, como mantê-lo assim e, principalmente, como se orgulhar de tê-lo feito… Era tarde de mais… Não havia matéria no universo capaz de saciar a ambição, a todo o universo entrou em um processo de regressão, até que tudo se concentrou em um único ponto, que esquentou e esquentou até explodir…

Futilidades – Claus P. Neto

Bom dia a todos. Depois de algumas semanas trabalhando e publicando o conto do Silmar, é com uma certa alegria que mudo o estilo de escrita (de novo). Voltando à poesia, muito embora esse deva ser o meu pior texto até agora, sinto-me mais livre. Lógico, isso pode ser também só impressão causada pelas minhas férias. De um jeito ou de outro, eis aqui. Como sempre, me digam o que vocês acharam! Esse poema já está um pouco velho e eu estava tentando experimentar um pouco de modernismo, então se isso ficou uma droga me dêem um (pequeno) desconto.

Futilidades

A nobre ciência do fútil
É a consciência da nobreza em nós
Não há nada que façamos
Que seja ao menos
Pelo menos uma vez
Útil

Nos ligamos em tudo
Com cabos na tomada
Ligados em rede mentirosa
Que nos impede toda vez
De mudar o mundo

Tlec-Tlec-Tlec saltos altos
De momentos altos e baixos
Pela máscara nos cobrimos
Nossas emoções,
Nossos verdadeiros atos

A falta de propósito
Duma geração,
De toda uma nação
Sempre nos atrasará
E dane-se o progresso
Pra sair bem na foto

Por Claus P. Neto

Formatura (por aton)

Pessoal, hoje é a minha formatura e estou um pouco muito enrolado hoje. Peço desculpas aos que seguem meus contos, pois não terei tempo de escrever um hoje. Ao invés disso estou publicando o discurso de formatura que farei. Espero que gostem, apesar de ser muito chato, ou não!

Discurso

Boa noite caros professores; pais; amigos, caros colegas de guerra. Não encaremos este ano como o fim, mas como o começo das batalhas da vida que todos, invariavelmente, iremos travar. Hoje, formamo-nos como jovens; como leões, cujos domínios são as selvas da alma humana; como guerreiros cujas armas são a espada da mente e o escudo do futuro, minuciosamente forjados, nesses últimos três anos, segundo as palavras educadoras desses grandes mestres, que tão habilmente souberam afiar o gume da razão, lapidar o ferro da juventude.

Não lamentemos o passado que se afasta, ergamos a cabeça e vamos à luta, cientes de que a matéria-prima da nossa existência é o fogo, do qual fora forjada a razão, mãe do que somos hoje: Humanos; Cientes de que esse fogo, por meio de nós, edificou o mundo que conhecemos: Um mundo dominado por tecnologias inovadoras e redentoras, dominado pela ameaça constante de bombas de destruição em massa.

Assim, nos é depositada, hoje, a responsabilidade pelo controle desse fogo: Recai sobre as nossas mãos a construção ou a destruição deste planeta, pela força de nossos atos ou de nossas omissões, sejamos nós futuros médicos, engenheiros, advogados, professores… ou simples cidadãos.

Entretanto, meus amigos, se soubemos aproveitar esses últimos anos, Honra e Gloria nos esperam. Se não, enfrentaremos a vida desarmados. Pois a escola é como uma mina da ouro: Os mestres são os túneis que levam à riqueza, cabendo aos alunos minerarem com perseverança e dedicação, já que nada brotará da rocha, que é a ignorância, por espontânea vontade: é preciso quebrá-la.

Ergamos a cabeça! Esse ouro por nós obtido é a única moeda de troca com a qual poderemos comprar os próprios sonhos! Obrigado a todo o corpo docente pelas armas e riquezas conquistadas: com elas venceremos dragões, moveremos montanhas! Obrigado aos pais por todo carinho, tempo e dinheiro a nós dedicados, essa é uma dívida que nunca poderemos saldar, é também a única dívida que teremos orgulho, passaremos esse crédito aos seus netos! E, finalmente, obrigado àqueles que ainda são capazes de pensar; capazes de se apaixonar pelo conhecimento e acreditar na capacidade humana de evoluir… Vocês fizeram tudo isso valer a pena e, agora, caberá a vocês fazerem o mundo girar!…

Que a dor da separação que encerra este discurso, mais que isso: esta fase da vida, não nos abata, amigos! Olhem uns nos olhos dos outros e tenham a certeza de que, aonde quer que o destino os leve, sempre haverá alguém que luta pelas mesmas causas que você e que o legado da nossa Honra será sempre transmitido. Pais e Professores, quero que saibam que todas as conquistas por nós realizadas também serão suas. Agradeço por tudo que nos foi feito no passado. Agora é a hora em que um novo futuro será decidido. Que as nossas armas estejam bem forjadas.

Sem mais demoras, muito obrigado a todos aqui presentes, tenham uma ótima noite.

Aton

A meia-vida de Silmar Silvério Silva dos Santos – Parte III por Claus P. Neto

Finalmente,  o fim da curta saga de Silmar Silvério Silva dos Santos. Foram três semanas entre o início da ideia e o último post revisado e heis aqui o resultado! Apesar do clichê, espero que vocês gostem do texto tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. Como eu falei no primeiro post, a ideia me atingiu de repente, mas eu não sabia que demoraria tanto para eu terminar este singelo conto, tal foi a forma como ele me cativou. Meu principal objetivo quando comecei a escreve-lo era escrever uma boa história, uma história sobre alguém singular, a história de alguém, uma biografia. Afinal, várias vezes uma boa história é uma biografia, quer seja ela de uma pessoa ou um conceito, contínua ou em fragmentos, que conta toda uma vida ou apenas parte dela. Fiquei satisfeito com o resultado final: mas cabe a vocês dizer se o que eu escrevi teve mérito ou não. Digam-me o que vocês acharam. A caixa de comentários serve pra alguma coisa e todo essa falta de feedback é prejudicial ao meu narcisismo! Se você não acompanha o conto, é só olhar a seção ‘contos’ logo à sua esquerda ou a minha seção mesmo. Se você ainda não nos acompanha no facebook, não entre em pânico: é só clicar aqui  e clicar no joinha para receber boa literatura em sua timeline. Sério, a maior parte do que você tem lá muito provavelmente é lixo, não custa nada ter um bom conteúdo pra ler ao invés de prestar atenção em correntes idiotas ou em fotos de pessoas estúpidas com quem você nem fala direito ou se importa. Boas tardes.

A meia vida de Silmar Silvério Silva dos Santos
Outro grande efeito do purê de maçã: o nosso pobre herói, antes apenas tímido, desenvolveu uma ansiedade patológica, especialmente em situações envolvendo garotas. Essa, por sua vez, levou-o a um desastre após o outro: repetiu o terceiro ano três vezes por ficar muito nervoso na hora dos testes (e só passou na terceira vez porque o professor não suportava mais vê-lo na sala), ou seja, mais três anos perdidos; quase teve um ataque do miocárdio em seu exame de direção (ele nem chegou a dar a partida antes de sair em pânico do carro); e foi demitido do seu emprego como balconista no armazém da cidade por não conseguir falar direito com AS clientes (também tinha dificuldade com OS clientes, mas o público feminino era um problema maior). Perdeu ao todo mais oito anos e onze meses, contando o tempo em que ele se formou em contabilidade na universidade pública da cidade (como, até hoje ninguém sabe) mais todo o que desperdiçou tendo que andar de lá para cá a pé por não ter conseguido sua habilitação (perdeu em média 2 horas por dia até o fim de sua vida).
Para aliviar a tensão, passou a fumar, e esse foi um dos últimos pregos em seu caixão. Como bem se sabe, cada cigarro comum o faz perder aproximadamente 4 minutos de vida. Entretanto, devido ao desleixo da tabacaria local, cada cigarro roubava 6 minutos ao invés de 4. Fumou todo dia, dos 17 aos 30 anos, em uma média de 273 cigarros por dia, encurtando-se assim assombrosamente 15 anos de sua vida.
O que se passou nesse período não é muito interessante. Passou a trabalhar como contador do armazém do qual fora demitido (cujo dono coincidentemente era Epaminondas) enfurnado em um cubículo , fumando o dia inteiro tanto enquanto fazia os cálculos quanto durante seu período de ócio, situação em que durou (ao contrário de sua carreira como balconista) muito tempo. A fumaça do fumo envolvia a sala de tal modo que a visibilidade era quase zero, e até hoje pergunta-se como Silmar se adaptara à atmosfera quase sem oxigênio do recinto. E era em meio a essa fumaça que ele pensava. Vale a pena dizer que não foram os cigarros sozinhos que roubaram dele 15 anos de vida. Também foram esses devaneios, essas meditações sobre como a vida teria sido diferente se ele houvesse brincado de soltar pipa ou andado de bicicleta, ou assaltado a geladeira à noite e comido doce, ou ter tentado a sorte com Mérilú mais cedo, não ter ficado remoendo tanto após o trágico episódio do purê de maçã, se ele tivesse ousado, se ele tivesse
vivido! Chegou à conclusão que até ali tudo o que ele tinha feito era morrer numa velocidade acima da usual, simplesmente por não ter aproveitado sua vida direito. E nisso, remoía ainda mais, morria ainda mais e resignou-se com o seu precoce fim.
Numa tarde de domingo, em seu aniversário, foi ao escritório. Ao chegar, a nuvem de fumaça ainda não havia se dissipado: estava lá, já à sua espera. Sentou-se na cadeira de couro carcomido, acendeu outro cigarro e ligou o rádio na música ‘Eleanor Rigby’, dos Beatles. De repente, foi como se o universo tive ficado de saco cheio com aquela existência vazia. Silmar também. Haviam chegado a um acordo. O homem começou a sentir um comichão no ventre. O comichão logo virou uma pontada, a pontada em uma dor lancinante e por aí foi até que ele sentiu como se estivesse pegando fogo por dentro. E estava. Mas não gritou. Como eu disse, ele já estava de saco cheio. Já estava resignado. Sabia que seu fim estava perto, e abraçou-o como um velho amigo. A combustão espontânea não durou nem 10 minutos e acabou exatamente 5 minutos depois da hora exata de seu nascimento.
Sua morte só foi notada um mês depois, quando Epaminondas veio fazer o pagamento. O velho olhou consternado para a pilha de cinzas em cima da cadeira, assim que a fumaça se dissipou o suficiente para o assento ser visível. Suspirou, saiu, fechou a porta, passou a chave e nunca mais a abriu. Só ele (e eu, e por um conseguinte lógico, você) ficou sabendo da morte de Silmar. Ninguém na cidade sentiu sua falta, e portanto ninguém questionou seu sumiço. Tinha quem dissesse que ele havia morrido um ano antes, então o caso fora encerrado (muito embora fosse depois confirmado que tudo foi um mal-entendido envolvendo um mendigo bêbado uma rixa de família e uma herança de 50 mil reais, o que resultou na morte do bêbado sob circunstâncias suspeitas). Este, quando nasceu, recebeu uma profecia, de uma fonte duvidosa, que deveria viver até os 60 anos. Não fossem os 5 minutos, teria vivido uma meia-vida completa. Uma vida vivida exatamente pela metade. 30 anos e 5 minutos jogados fora. É como eu falei. Desastroso.

Fim

Por Claus P. Neto