O Dia que não houve dia (aton)

HAIOA! E sei que havia prometido uma crônica, mas hoje vou dar-lhes um microconto que tem arruinado minhas noites de sono nas últimas semanas. Espero que gostem. Aliás, pra quem perdeu o último post do Claus, estamos procurando escritores. Os interessados enviem um texto (qualquer gênero) para o e-mail luckpontecorreia@gmail.com Assim, boa leitura.

O Dia que não houve dia

           Um pequeno povoado formar-se a muito tempo além-mar, ainda atrás do próprio horizonte. Não era muito rico, ou vivia  de luxuosidades, mas seu habitantes tinham esse sangue denso, cujas manchas são mais difíceis de limpar e as mágoas de esquecer. Conta-se que no calhar da sorte, ou na benevolência divina, o povoado cresceu e cresceu. Não como os persas ou os romanos, mas muito além. Ali, naquele cantinho de um fim de mundo, nascia a maior civilização de todos os mundos. Aquela a qual todos devem o respeito tal como o filho com sua mãe.

           Guerras, navegação, comércio, filosofia, não havia limites para a mente e o corpo dos habitantes do povoado e, conforme conheciam outros lugares do globo, assimilavam, aprendiam, roubavam e matavam, como todos os grandes povos da nossa história. Vorazes, ambiciosos, cresciam como peste, multiplicavam-se como uma colônia de bactérias. Cada cidadão um soldado, um político, um cientista e um teólogo por si. O primeiro golpe de espada surgia junto com a primeira palavra, com o primeiro passo e o primeiro sorriso.

                 Ninguém sabe de onde veio esse sangue grosso, ferroso, mas alguns supunham que um dia o espírito da guerra desceu sobre o planeta em forma de lobo e aqui, para nossa alegria e desespero, encontrou o espírito da sabedoria sob a forma de uma coruja. Em um supremo ato de abstração teórica e ferocidade divina, os dois lutaram entre si até a morte… Se é possível que um espírito morra… Acontece que ambos morreram e, onde seus corpos jazeram nasceu uma árvore singular, que, durante toda sua vida deu um único fruto. Tal fruto teria sido comido pela família do patriarca dos habitantes do povoado. Ele espalhou esta semente sobre seus sete filhos, que tiveram netos. Estes casaram entre si e assim por diante, até que cada pessoa do povoado tivesse esse caráter lobo-coruja-fruta no sangue.

           Mas nem tudo é flores. A sorte um dia acaba, e, ao que parece, até mesmo a benevolência divina tem limites. Então, os registros dizem que uma voz Ressoou por todo o mundo. Muitos afirmam que era um deus, ou o Deus, ou ainda Os Deuses. Apesar de que outras versões diferem dizendo que era um profeta que andou gritando por todo o mundo. Mas todos sitam a seguinte passagem:

Não chegará o amanhã
E o povo que por ora fora coroado
Será, pela noite, castigado
Até que os pecados da alma vã
Embranqueçam como o Sol,
E a virtude seja, da vida, o novo farol.
           E, de fato, o Sol não voltaria a nascer. Sabemos pouco a respeito do motivo que os fez realmente acreditar nisso, ou o como o fato realmente aconteceu. Mas jaz a lenda que a anunciação foi dada no primeiro raio da manhã, de forma que uma guerra estourou durante o dia inteiro, até que o por-do-sol chegasse.
           Neste ponto as coisa ficaram realmente interessante. O a tinta rubra que corria nas veias dos habitantes do povoado escorreu pelas ruas como uma reticências exagerada que deixa um final em aberto. Conta-se que o último raio do Sol foi tão vermelho quanto um rubi. E nesse momento o desespero chegou.
           Três foram as reações relatadas.
           1- Um grande grupo saqueou as casas, as vendas, os campos, tudo, e partiu rumo ao poente, na tentativa de alcançar o Sol. Estes foram condenados a percorrer eternamente uma infinita escuridão, famintos, cansados, e imortais.
           2-Outro, vendo a traição do primeiro, trancou-se o melhor que pode em suas casas, castelos, e até cavernas. Pouco se sabe deles. A maioria concorda que estão presos até hoje como almas errantes.
           3- Por fim, um último grupo, vendo o caos, o egoísmo e a ambição dos outros, voltou-se contra a própria lógica de sobrevivência, e partiu em direção a noite. Como bravos guerreiros de espírito, e nenhuma arma ou alimento além de suas mente, avançaram pera a escuridão que tomava aquele mundo. Estes sobreviveram para ver inúmeros outros amanheceres, assim como entardeceres.

Wasteland parte V_-_Por Claus P. Neto

Boas tardes a todos! Comemoramos aqui o 50º post do máfia! \o/ E de presente, nós lhe daremos esse magnífico texto feito em apenas 20 minutos. Olhe que maravilha! Se você não tem acompanhado a história do Wasteland  (ou outras histórias interessantíssimas) é só procurar nas publicações anteriores o resto das postagens. Ainda somos um blog PEQUENÍSSIMO, então se você quiser dar ao máfia um presente de aniversário (bem merecido na humilde opinião deste autor que vos fala) espalhe a notícia dele, ou melhor ainda: envie um de seus textos pra nós! Se você ou alguém que você conhece gosta/te disposição de escrever, essa é a chance! Tem sido complicado com só eu e o Aton escrevendo, então novos autores são sempre bem vindos! Pensem carinhosamente na proposta.  Mesmo assim, agradeço a todos pela força e pela leitura; isso tem sido importantíssimo pra gente.

Boas tardes.

P.S.: mandem os textos para luckpontecorreia@gmail.com

Wasteland parte V_-_Por Claus P. Neto

Felizmente Clito estava lá. “Não tem nada pra você ver aqui Krug. Deixe ele em paz”. “Ah!” replicou o brutamontes com sarcasmo, “pra quê tanta rudeza, Clito? Eu só passei para cumprimentar um amigo doente…”. Antes que Clito respondesse eu tomei a dianteira: “O que você realmente quer Krug? Se for algo que não valha a pena me fazer sair da cama não precisava nem ter vindo”. Um novo sorriso irônico desenhou-se em sua cara. “Direto ao ponto como sempre tenente. Vejo que seu pequeno acidente não deixou seus sentidos mais lentos. Ou a sua língua menos afiada”. Ele deu grunhido de desprezo, entreabrindo a boca e mostrando os dentes. “É muito simples. O nosso líder ficou sabendo da sua… delicada situação de saúde e me pediu pra enviar os seus sinceros desejos de melhora”. “E ele não veio por quê? Estava muito ocupado com uma das tripulantes na cama e mandou o seu cachorro conversar com a tripulação comum?”. Foi com um misto de receio e satisfação que eu vi o seu cenho franzir. Krug sempre havia sido assim: poderia levar desaforos pessoais tranquilamente (pelo menos até certo ponto), mas bastava colocar Mach na história que ele se alterava. O grandalhão idolatrava o meu inimigo. Ele entrara no regimento de Mach dois anos antes do tempo permitido, servindo com ele quase que desde o início. A ‘víbora’ era como um pai pra ele. E em troca, sua lealdade com ele era ferro.

Era arriscado provoca-lo assim, mas ele respirou fundo e colocou outra vez um sorrisinho sardônico nos lábios. “Ele está muito ocupado coordenando os reparos na nave. Ele lamenta muito não ter tido mais contato com a sua divisão, mas como ele não sabia ao certo se você havia morrido, ele preferiu ser… prudente e usar apenas os comandados dele até seu corpo ser achado”. “Que gentil da parte dele”, acrescentei ironicamente. “Mais alguma coisa?”. Ele deu uma risada profunda, gutural. “Ah! Sim. Como eu ia me esquecendo? Ele deseja conversar pessoalmente com você. Assim que você puder, é claro”. Respirei fundo apesar da dor. Aquilo não era nada bom. Nada bom mesmo. Conversar com Krug já era ameaçador o suficiente, mas com a ‘víbora’ pessoalmente… As coisas iriam ficar sérias pra mim, com certeza. Apesar disso, respondi calmamente, tentando ocultar o desprezo “Onde eu posso encontra-lo?”. “Estamos na cantina, pelo menos por enquanto. Ele pretende limpar a ponte de comando e usá-la depois. Mesmo com nenhum dos controles funcionando é um lugar… de liderança. De poder. Ele apreciaria muito isso”. “Entendo.”, continuei eu, “Avise então que assim que eu me recuperar irei falar com ele”. Ele fez uma pausa, como se pensasse se já não seria melhor estrangular eu e meu companheiro no ato. Mas simplesmente respondeu: “Ótimo”. E se retirou, não sem antes lançar um olhar de ódio para Clito.

Depois de ele ter saído é que eu pude respirar normalmente. “Bem, cara de retalho”, comecei eu, “parece que ele sabe que estamos aqui”.

Continua…

Por Claus P. Neto

O Alcoólatra Autônomo III (aton)

Felicitações! Finalmente o fim de mais um continho aqui no máfia. Acho que durante as próximas semanas tratarei de crônicas. Curtam, sigam a página, comentem, etc.

O Alcoólatra Autônomo III

final

    É certo que os anos de abando nas ruas não lhe confeririam o melhor dos semblantes, mas, após a grande descoberta do desintoxicante hepático, e também da aspirina, correr virou a sua droga. Literalmente, enquanto corria, o álcool produzido pelo seu corpo se espalhava mais rapidamente. Então, sem querer fazer analogia a um certo filme estadunidense, correr era a unica coisa que lhe restava para  dissimular a nuvem negra que, como uma cortina que barrava a luz de sua genial mente.

    Uma coisa leva a outra e logo eram flexões, abdominais, polichinelos, esse mal dos exercícios físicos que, como um parasita,  mandou todo seu brilhantismo para os músculos. Mas a vida ainda não havia desistido de Vitrúvio, ou gostamos  de pensar assim. Não muito tempo se passou até que as pessoas notassem o mendigo que, ao invés de dinheiro ou comida, pedia hepatilon. Os vídeos para o youtube não demoraram para aparecer, as campanhas para promovê-lo vieram logo depois e em uma reviravolta estranha que a vida dá, ele tornou-se modelo! Sua fama viral pela internet e seu entusiasmo em cumprir a clausula de 12 horas de malhação.

    E num tapa perdemos o mais genial dos filósofos, para ganhar mais uma subcelebridade… Uma troca justa. Pena que ele era modelo de fraudas geriátricas, o que só fez aumentar ainda mais sua fama. Afinal, a imagem de alguém com tal solene sucesso comovia as pessoas. Só que após algum tempo, algo como um gatinho vestido de urso surgiu na internet e ele acabou esquecido.

   Passados os quinze minutos de fama, Vitrúvio foi apagado da história. É incrível como uma vida de tamanhas conquistas possa ser derrubada por meros sonhos quebrados. Acontece que, de repente, o gatinho foi contratado para substituir nosso gênio obscurecido. Então, quem por nadada, nunca havia sido batido, em um imenso ataque de raiva quebrou todo o apartamento. Tão logo veio a depressão, que sua vida se resumia em gastar todo dinheiro em desintoxicante e exercícios aeróbicos, muitas vezes com as fraldas geriátricas que o faziam lembrar-se dos tempos áureos.

   Mas nem tudo estava perdido. Uma nova empresa de gêneros alimentares queria deslanchar no mercado vendendo doces de abóbora dentro da própria fruta. E como o capital era meio curto, e o preço de Vitrúvio era centenas de caixas de remédios. A ocasião uniu-se com a oportunidade e, por um tempo, as coisas pareciam retomar aos eixos.

   Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Algumas dezenas de abóboras foram entregues no apartamento do nosso Herói, para que el pudesse treinar suas feições de prazer gustativo (e não vomitar). Acontece que uma das frutas estava contaminada com um estranho vírus, recém mutado,  que deu uma enorme cólera nos intestinos. Tão violenta que, a caminho do banheiro, a luz da genialidade desapareceu dos olhos de Vitrúvio em um infarto fulminante.

   Estranhamente nunca ninguém soube como a vaca foi parar na cena de sua morte. Mas isso é outra história

Wasteland parte IV_-_Por Claus P. Neto

Bons dias a todos. Um problema recente na redação do meu jornal anarquista me ocupou a cabeça o dia inteiro, e eu me esqueci completamente de vocês! Peço perdão a todos os leitores pelo meu descuido e pouco caso. Não se repetirá (espero). Peço também perdão porque com a pressa isso foi tudo o que deu pra continuar da história. Espero que ainda assim valha a pena ler.

Bons dias.

Wasteland parte IV_-_Por Claus P. Neto

Ele puxou uma cadeira de metal e sentou-se na minha frente. “Bem”, começou ele, “acho que você já percebeu que conseguimos fugir. Revistamos a nave toda e não encontramos os vespas brancas, o que por si só já é um alívio. Por outro lado, o salto de hiper-espaço foi feito com pressa, então não sabemos onde estamos. Além do mais, mesmo que as bombas CxR4 não sejam muito eficazes contra estruturas elas conseguiram fazer um estrago feio nos comandos”. “Isso quer dizer…” “Que não podemos pilotar a nave e nem saber onde ela está. Estamos à deriva já faz uma semana e meia”. “Mas tem mais, não tem?”. Ele fez uma careta, como quem engole algo com gosto amargo. “Infelizmente sim. A detonação na ponte matou todos os oficiais. O capitão inclusive”. Fiquei consternado. Ele era um dos poucos na nave com capacidade de liderar. A tripulação em geral, dada a origem humilde, era ignorante, ignóbil e tola. Ele continuou: “E adivinha qual é a pior parte?”. Mil coisas passaram pela minha cabeça, uma mais nefasta que a outra. Mas ainda assim era pouco perto do que Clito iria me falar: “O Mach é quem comanda a nave agora”. Levantei-me num salto, apesar da dor. “O quê? Como? O próximo na linha de comando era o Zink, e ele não estava na ponte de controle”. “Calma, sente-se, você ainda está muito fraco. Verdade, o Zink não morreu na detonação, mas apareceu convenientemente morto em um dos corredores do círculo externo, eletrocutado”. Ele fez uma pausa, o cenho franzido. Depois olhou de um lado e de outro, antes de continuar, em voz baixa: “Lógico que toda a situação é estranha, mas a coisa foi muito bem armada. Não dá pra provar nada, e qualquer um dos cães do Mach juraria sobre sua alma que ele estava junto com eles em um ponto totalmente diferente da nave. Como não temos nenhum médico não dá pra saber quando ele morreu, e como a nave estava um caos…” “Ninguém saberia dizer onde ele estava, ou com quem” “Exato”.

Parei para respirar, atônito. Não, o Mach não. Qualquer um, menos ele. “Quantos da tripulação estão com ele?” “A maior parte, infelizmente. Boa parte da revolta foi feita com recrutas novos. Eles não sabem quem ele é. E aquela cobra sabe ser carismática quando quer. Além disso, nossa divisão foi a primeira nos ataques, enquanto a dele ficou convenientemente atrás. De um jeito ou de outro somos minoria”. Ele deve ter percebido o quanto eu fiquei pálido “Fique tranquilo. Ele não sabe que você está aqui. Eu não sei o que ele está armando, mas a nave é grande e até agora eu não cruzei com ele ou um dos seus subordinados. Além disso, estamos todos no mesmo barco, lembra? Até ele sabe que por hora precisa de cada um nessa nave pra sobreviver, até mesmo você”. Suspirei, mas não aliviado. “Você sabe que isso não quer dizer nada, não é? Ele não é do tipo que esquece as dívidas”. Nisso, a porta abriu-se e uma voz profunda, grave e rouca falou com maldade: “Mas certamente é do tipo que sabe esperar o momento certo de cobrá-las. Espero que esteja se sentindo melhor Aspines”. Um frio glacial me percorreu toda a espinha.

Continua…

Por Claus P. Neto

O Alcoólatra Autônomo II (aton)

Bezul! continuando o conto da semana passada, espero terminá-lo semana que vem. Enquanto isso, ao lerem este texto, saibam que cada virgula contém uma ironia, ok? Boa leitura!

O Alcoólatra Autônomo 

Parte II

         Gostamos de acreditar que o nome de Vitrúvio é em homenagem ao arquiteto romano Vitruvius, fissurado em simetria, que inspirou Da Vinci a desenhar o homem vitruviano. Apesar de ser pouco provável que sua mãe soubesse disso. Em sua infância fora uma criança brilhante, não do tipo brilhante como num certo livro de vampiros, mas como um gênio.
         Enquanto todas as crianças limitavam-se a fazer desenhos de homens palito, ele já fazia arte abstrata. Enquanto elas esforçavam-se para aprender letra de forma, ele já escrevia em árabe. Enquanto todas elas corriam e gritavam na hora do recreio, ele praticava meditação profunda. Obviamente tal grandiosíssima genialidade deveria ter sido notada desde cedo, mas o déficit de atenção e um problema na tireoide mascaram suas ações.
         No ensino fundamental, suas notas poderiam ter sido as maiores da sala, mas erroneamente eram trocadas por zero, devido ao conservadorismo estudantil que não aceitava soluções em branco. Mas quem poderia julgá-lo por responder “batatas” quando a pergunta era sobre o cálculo do valor de x, se o professor era incapaz de acompanhar tal intelecto, que encontrara uma forma singular de associar figuras concretas a números?
         A quinta série (sexto ano, que seja) foi o fim da escola para Vitrúvio, ou quase isso, após repetir quatro vezes, mudou-se para rede pública, onde finalmente um pouco de mérito lhe foi dado, e “batatas” passou a valer, pelo menos, meio certo. Foram os anos que sua mente mais cresceu, associando os valores numéricos de “tomate” e “Dráusio, o dinossauro feliz”.
         Na rede pública, teve seu primeiro contato com drogas e foi expulso de casa por sua mãe (ou adestradora, como ela carinhosamente se denominava). vagando pelas ruas foi quando, pela primeira vez, percebeu que algo nele era diferente dos demais, além de sua mente colossal. Pois quanto mais se movimentava, mais feliz, mais desinibido ele ficava, até que desmaiava  Passou então a frequentar aulas da mais elevada filosofia metafísica com os filósofos das ruas. Mas eram frequentemente agredidos por oficiais governamentares uniformizados que os impediam de professar suas palavras de sabedoria.
          Até que um dia, um farmacêutico, vendo Vitrúvio em um de seus momentos de mais pura meditação após uma corrida, decidiu dar-lhe um vidrinho de Hepatilon, um desintoxicante para o fígado, mudando completamente o desfecho desse gênio desconhecido que a humanidade perdeu.
Continua…

Oração

Boas noites! Não, não é o Claus. Infelizmente quem vos fala é o Aton. Meu caro colega não poderá postar, hoje, a continuação de Wasteland porque ele foi chamado com urgência para controlar a Coreia do Norte em uma missão secreta… Agora não tão secreta assim. Bom, então eu vou postar um pequeno texto “filosófico” que diz muito com poucas palavras, o que é ótimo, para quem está sem muito tempo 😉 Boa leitura!

Oração

 De todas as coisas oh Singular Origem,
Que teus mistérios não sejam em vão,
E a nós seja dada a resposta das dúvidas que eles no infringem,
Sem que, do teu caminho, altere-se a direção.
Caminho que flui de vida em vida, de morte em morte.
Pelo qual  trilhamos a evolução eterna.
E que os atalhos dele não nos importe,
Assim como não houve atalhos na Caverna.
Que, por fim, nossa lupina vida humana
seja, por teus conhecimentos dados, salva da pantana.
Assim seja.
 
Ps: Inspirado no “Pai nosso”. A ideia foi criar uma oração feita para todos, de qualquer religião (ou qualquer ausência de religião).

O Alcoólatra autônomo I (Aton)

Aloha!! Como o prometido, aqui segue a primeira parte de um conto, no qual eu tento fugir daqueles meus macilentos textos de sangue e guerra e etc. Espero arrancar algumas risadas, pelo menos um breve momento de outro mundo no seu dia. Bom… Boa leitura! E uma feliz Segunda-feira a todos!

O Alcoólatra autônomo

Parte I

                 -É melhor que tenham um bom motivo para me tirarem da cama. A sorte é que o motel só fica a duas quadras daqui. Então cadê o presunto?
               -Quinto andar, senhor… Sinceramente, acho melhor você nem subir, parece que tem uma vaca na sala… e nada que disseram faz sentido.
               -E como uma vaca foi parar no quinto andar, Hugo?
               -Dizem que ela entrou voando no meio da noite, senhor.
               -Entendi… -O detetive pega o celular e faz uma ligação- Alô, Natasha? Então, o dinheiro ta debaixo do abajur, amanhã a gente remarca, ok? Certo…-Desliga e olha para o “estagiário” envergonhado- Que foi? Minha massagista pessoal só trabalha em motéis, algum problema?
               -Nenhum, senhor!
               -Ótimo, porque ela entra nas despesas da delegacia. Então vamos lá prender a vaca voadora por homicídio doloso em flagrante, ou não?
               A cena era, no mínimo, um quadro surrealista: uma vaca tombada e coberta de cacos de vidro mugia para os oficiais que tentavam ultrapassar o animal para verificar o buraco na parede onde ficara uma vez a janela. Uma pirâmide de abóboras cercava uma tevê quebrada. Enquanto apoiado no batente da porta do banheiro um fisiculturista em trajes de sumô estava cercado por frascos de Hepatilon, provavelmente mais de quinhentas embalagens.
               -Trivial, meu caro Hugo. Nosso amigo presunto, ali, é um traficante de abóboras. Mas como não tem muitos usuários dessa nefasta droga, ele ganha a vida como lutador de sumô para a máfia asiática. E como ele não devia ter um bom desempenho, decidiu entrar no ramo de apostas, notoriamente tomando centenas de frascos de um desintoxicante hepático, ignorando inclusive as ameaças dos mafiosos que apostaram contra ele, mesmo quando jogaram uma vaca em seu apartamento. Infelizmente ele morreu de overdose. Alguma dúvida?
               -Jogaram uma vaca no QUINTO andar?
               -Tecnologia japonesa.
               -Incrível! E o quê fazemos com a vaca agora?
               -jogamos ela por onde entrou, oras.
               -Um animal vivo?
               -Ta bom…- O delegado tira a pistola do sinto e atira no animal mórbido.
               E assim foi registrada a morte de Vitrúvio… Apesar de toda singularidade de seu caso, nenhum artigo no jornal foi escrito, nenhum médico preocupou-se com os sinais, nada. Nenhum perito leu o inquérito, aliás, nem inquérito foi feito. Talvez a única coisa bem feita na sua vida foi a necrópsia, que indicou uma quantidade inumana de álcool no sangue.
                Mas a história de sua morte não é importante. Então deixemos o detetive e o Hugo para depois. Comecemos numa tarde de trinta anos atrás, quando um evento único ocorreu: Uma inesperada atividade solar liberou uma onda de luz ainda menor que as usuais conhecidas pelo homem. Mas por devidos efeitos atmosféricos apenas um pequeno feixe penetrou na Terra, apenas para encontrar uma barriga desprotegida na praia durante o feriado de Carnaval. Nove meses depois nascia Vitrúvio… e também um câncer de pele.
               A doença dele era genética e nunca chegou a ser descoberta. Ele sofria de alcoolismo autônomo, além das inseguranças normais de um ser humano que é filho de uma camisinha furada e tem uma anomalia inexplicável que faz seu próprio corpo produzir álcool. Fora isso, sempre fora um ser humano como qualquer outro… quando estava sóbrio.