Cinerus H. Luper – O espelho de Afrodite IV (ATON)

Mas que excelente madrugada de segunda feira, não?! Galera, queria ter feito este pedaço do conto em falas, mas realmente ia ficar muito confuso e extenso, então reescrevi tudo narrando (daí o poema semana passada). O problema é o seguinte, eu tinha uma ideia de conto, que já faz alguns meses que eu alimento, ai ela decidiu ser escrita, só que foi tudo meio empolgante demais e já tem umas trinta páginas escritas sem previsão de acabar logo. Eu pretendia postar esse novo conto logo em seguida, mas agora não tenho certeza. Além disso, tem um terceiro trabalho muito legal (e talvez lucrativo) que me está tirando o sono. Então este será o último conto que escreverei sobre “Cinerus H. Luper”, pelo menos por enquanto. Faltam mais duas semanas para este conto acabar, então Boa Leitura!

O espelho de afrodite

parte IV

                Algumas vezes, as mentes mais escurecidas são capazes de perceber melhor as pequenas nuâncias de luz que encaminham a resposta final. Sim, a primeira dama era inexprimivelmente inútil. Mas creio finalmente ter encotrado algumas respostas para algumas perguntas pertinentes graças a ela.
                Primeiro, os motivos das peculiaridades do caso. A amante do prsidente, como já foi dito, sendo detentora de extremo poder, se quisesse simplesmente sumir, por que não o fazer sozinha? Certamente a figura presidencial era alguma espécie de bode expiatório para algum plano maior, caso contrário, nada disso teria sido necessário. Ou ainda, ele serve como escudo para retardar as invetigações, visto que qualquer aproximação eficaz exporia o caso.
                Segundo, para que lugar do mapa poderiam ter, finalmente, ido. Havia pensado que, como tinha o relatório do conteúdo da bagagem de meus procurados, nada mais poderiam carregar, além do que trouxeram. A menos que já houvessem recursos escondidos no prédio da embaixada. Nesse caso, tudo, absolutamente tudo, muda.
                Acontece que, com a demora do retorno do presidente, alguns rumores e inquietações já tomavam conta da imprensa. Então, meu caro amigo, coluna de sustentação de diversas máscaras políticas, que me encarregou deste caso, confabulou com seus colégas o que poderia ser chamado de um verdadeiro “golpe midiático”. Divulgaram na imprensa que o avião que levava o presidente caiu e nada, por enquanto, fora encontrado.
                A primeira dama voara imediatamente para o México a fim de acompanhar as buscas, e creio que fugir dos repórteres. Porém, para minha surpresa, ela realmente acreditava nessa história. Ficara algumas horas berrando a respeito da demora e da ineficácia, da falta de aviões e barcos de busca, et cetera. Até que ela começou a lamentar da vida e como fora bom a última vez que estiveram no México…
                Eis que, após algumas perguntas e alguma atução de compaixão, as peças que faltavam foram se encaixando. Em dezembro do ano passado, nas “férias” do ilustre presidente, fizeram um “tour” pelo mundo (Ilhas Cayman, Liechtenstein, Suíça, Mônaco, Luxemburgo – todos paraísos fiscais) e passaram a virada de ano em Cancun, depois disso mais uma semana na Cidade do México. Obviamente sem a presença da amante.
                A mulher ainda mencionou uma ilha que ela ouvira ele negaciar a compra, imaginando que fosse presente das bodas de prata que realizariam daqui alguns meses.  Então tudo fez sentido. Aproveitando as semanas sem tanta vigilância (visto que todos se preocupavam com a amante), o presidente limpou as contas bancárias, provavelmente transferindo tudo para um único local. Assim, quando esteve uma semana na embaixada, sacou tudo aos poucos e escondeu. Logo, se a Amante quisesse o dinheiro, precisaria  do presidente para achá-lo.
                 A ilha… Talvez seja um palpite, mas eu apostaria que eles fugiram para lá. Se assim foi, teriam ido de barco? Teria que ser perto… Caribe? Uma rápida olhada na internet e encontrei a seguinte matéria em um site de fofocas pequeno: “Ilha paradisíaca no caribe é vendida para milhonário brasileiro anônimo por U$85 milhões”.  A data da matéria era de dois meses atrás. Existem coincidências?
 
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Ocaso_-_Por Claus P. Neto

Cumpro agora uma promessa que fiz semana passada. Escreverei sobre o Ocaso. Minha desculpa de que não estava defronte um agora não cola mais. Escrevo a vocês observando, em primeira mão, o astro-rei mergulhar preguiçosamente no horizonte. A inspiração terá de ser suficiente. A começar, escrevo sobre o referido tema por ele representar o meu período preferido do dia. Por várias razões. Poderia talvez escrever todo um livro sobre o porque o ocaso, o período preguiçoso que se estende entre mais ou menos 17:30h, quando o Sol resolve que é hora de descansar, até quando a noite estende totalmente seu manto é o mais incrível período do dia.

A começar, é de graça. Sou um pão-duro incorrigível. Mas também sou um incorrigível apreciador da beleza. E o por do Sol é simplesmente lindo. E não cobra nada por isso. Não é como um museu, onde além do custo de deslocamento tem o preço (justificado) do ingresso. Ou o dinheiro que eu tenho que dispender para ouvir um CD ou concerto. O ocaso é gratuito, e muitas vezes mais belo do que obras das mãos humanas. Ele é a marca que Deus deixou na Terra pra provar que Ele ainda é melhor que a gente, e que está tudo bem com isso.

Também é disponível. Todos os dias está lá, sempre de uma maneira diferente: às vezes mais esplendoroso, outras mais discreto, outras mais preguiçoso, outras mais charmoso. Mas sempre lindo. Uma pintura, escultura, fotografia tem um prazo de validade. O tempo, a mão humana, acidentes, tudo isso pode acabar com a beleza desse tipo de obra. Mas não o ocaso. Não dá pra apagá-lo. Não dá pra impedir que ele lance, mesmo que por poucos instantes, o seu ouro sobre todos, como um rei generoso que compartilha seus tesouros de maneira igual e justa.

É o melhor período para ouvir música, combinando a beleza dos olhos à dos ouvidos. Para caminhar, sozinho ou acompanhado, já que a temperatura fica ideal, nem frio demais para desestimular a sair de casa nem quente demais para cansar o corpo além do necessário. É o melhor período para ficar junto de quem você gosta, quietinhos ou sussurrando, apenas apreciando o espetáculo. É um bálsamo para quem sai do trabalho e tem alguma coisa bela para descansar a mente. É uma inspiração grande para mim, que tento escrever sempre algo belo, algo bom. Por isso que insisti em escrever esse texto olhando pra um. Mas posso ser franco? Não cheguei nem perto de fazer jus a ele. Hoje ele estava particularmente agradável. Pelo menos tentei.

Por Claus P. Neto

para viver (ATON)

Divirtam-se, caros leitores! Mais um poema (não consigo passar um mês sem =)… Obs: Drummond, Alencar e Vinicius de Moraes, obrigado pela ajuda, sei que falta muito, mas eu chego lá! Boa leitura…

Para viver

Havia um caminho sobre as pedras,
E pedras sob o caminho…
Por onde tu, Destino, medras.
Por onde um homem segue sozinho…
Meu Deus! Era um caminho feito de pedras?!
E, entre cada uma delas, um espinho…
E meus pés tão fatigados
do sangue, nunca se esquecerão,
em tantos litros derramados,
das poças rubras no chão…
Dos espinhos tão bem afiados,
Das heras que ainda crescerão.
Eram rochas e plantas malignas
E tu, Destino, aguardava em cada ferida
Novas ações, novas signas
Dessa gente que jazia caída…
Era o caminho da vida,
Luta renhida,
Que os fracos abate,
Luta escarlate…
Caminha, pois, sobre a rocha
Até que o sangue dos pés,
Que nela desabrocha,
Seque duro como grés.
Pois que seja assim,
Que o poeta só é grande se sofrer,
Um caminho, uma luta, um fim…
Destino, alcançar-te-ei antes de morrer!
 

Sem título #1_-_ Por Claus P. Neto

Não sei sobre o quê escrever exatamente. Poucas coisas me vieram à mente, ou talvez muitas para eu escrever em um pequeno post. Poderia escrever sobre o pôr do Sol. É algo, aliás, que eu ainda quero fazer. Mas eu teria que escrever olhando para um,  vendo o astro rei mergulhar por de trás da terra, banhando os seus súditos em ouro. Se não, não há inspiração para eu escrever sobre isso. Poderia escrever sobre gente que se foi. Gente que está aqui. Gente nova. Mas não tenho como, seriam páginas e páginas de saudade, dor, alegria; e não quero esgotar a sua paciência, caro leitor.  Poderia escrever sobre o quê? Sobre a lua, sua charmosa luz prata; sobre os mistérios do universo, entre as galáxias e estrelas e sua glória; sobre o homem, em talvez o maior mistério da natureza? Sobre as injustiças e sofrimentos do mundo? Sobre a singeleza de um sorriso? Da podridão dos corações? Sobre o quê?

Sobre mim mesmo: minhas dúvidas, contradições, medos? É, talvez eu devesse escrever sobre mim mesmo. Rasgar as minhas feridas e deixar o inchaço e o pus sair, junto com a dor. Contar minhas pequenas alegrias. Pequenas surpresas. Tudo pequeno. Talvez não. Talvez minha vida seja desinteressante demais. Talvez seja interessante demais para que eu me arrisque que vocês saibam dela. Quem sabe? Sobre o quê falar? Como escrever minha voz em bytes, como antes se fazia com papel e tinta?  Como?

Talvez sobre o escrever. A liberdade que isso dá. Já mencionei, abrir-me pelo mundo das letras pode ser um bálsamo. É uma janela pela qual seus sofrimentos, angústias escorrem, bem devagar, aliviando a dor. Dá voz à sua voz. Dá a sensação, ainda não sei se acertada, que você fez uma marquinha, bem pequena, mas permanente no mundo. Quem sabe? Sobre o quê escrever? Sobre o que é escrever? Não sei. Mas deixo a vocês esse pequeno texto. Escrevi sobre o que estava em mim. Isso só reflete que eu mesmo não sei por vezes o que eu quero. Não sei. Não sei mesmo.

Por Claus P. Neto

Cinerus H. Luper – O espelho de afrodite III

Olá, bravos leitores. Finalmente desisti de tentar formatar de maneira agradável o wordpress.  Perdoem a minha preguiça. Pretendo acabar este conto em mais três capítulos, se tudo der certo, e já começo outro um pouco mais extenso mas acho que gostarão. Boa leitura!

O espelho de Afrodite

parte III

Bahamas, Ilhas Cayman, Ilhas Bermudas, Ilhas Turks e Caicos, Liechtenstein, Suíça, Ilhas do Canal, Mônaco, Luxemburgo e Ilha da Madeira. Esses são os maiores paraísos fiscais conhecidos e, muito provavelmente, o ponto de parada de nossos ilustres fugitivos.

Devo admitir um erro, que os colocara onze dias (e não posso estimar quantas horas mais) na minha frente. Presumi que, na ansiedade de despistar possíveis perseguidores, o casal fugiria o mais rápido que pudesse do México, logo, pelo aeroporto mais próximo. Ainda mais que, estando a Cidade do México entre as mais populosas do mundo, é dificílimo distinguir rostos disfarçados na multidão que circula por lá.

Porém, caí no vício das resoluções comuns e não enxerguei que essa dedução é demasiada óbvia para a mente de uma mulher que vem despistando a MPF, a imprensa e, por incrível que pareça, a Interpol. Não encontrei absolutamente nada no Equador, nem os agentes da ABIN enviados aos outros países. Portanto, permaneceram no México, para pegar um outro voo para um outro lugar.

Eis minha segunda teoria: escaparam de van. Como os cartões de crédito da presidência não foram utilizados e como nenhum volume monetário fora do normal estava na bagagem de saída deles (se se pode confiar nos relatos), teriam que, primeiro, chegar a um banco e, por isso, economizar o máximo de dinheiro até então.

Ora, que melhor maneira de se fugir sem deixar rastros e com baixo custo do que alugar uma van informal? Pensem, não há câmeras, não se pede documentos, não se faz registros, não se pergunta nomes… Além de ser a última forma de locomoção em que um presidente e sua amante seriam imaginados.

Contudo, o dinheiro acabaria com algum tempo. Assim, o local-destino deles devia fornecer recursos financeiros, como agências de bancos internacionais, nos quais certamente haveria uma conta que se passou despercebida pela ABIN, cheia de dólares para comprar documentos falsos e, enfim, deixar o país.

Que lugar poderia se encaixar com tais aspectos? Provavelmente uma cidade turística grande. Qual a maior cidade turística do México? Cancún! Uma viagem de van com esse destino, demoraria de dois a três dias, juntamente com a confecção de documentos falsos, mais um ou dois dias (se muito bem pago). O que me faria ganhar de três a cinco dias em relação a eles!

Fui ao centro de inteligência improvisado no porão da embaixada. Queria organizar o próximo passo, que obviamente envolvia blindar todos os aeroportos dos paraísos fiscais. Essa ideia já fora descartada, embora fosse a saída mais rápida e eficaz, pois envolvia pedir auxilio de outras federações, ou seja, declarar que o Brasil perdera seu representante e et cetera, porém é a única saída.

Mas na sala aguardava uma nova peça para o jogo. Com esses problemas todos, havia um elemento que me fugira completamente da mente: a primeira dama! Não era uma figura foco de mídia, mas, se ela não for burra, já entendera a situação e poderia expor todo o caso se quisesse. Apesar de que isso a afetaria sua imagem negativamente. A primeira dama certamente será uma aliada valiosa se puder fornecer as informações necessárias.

Continua…

 

Diário homeopático nº1 _-_Por Claus P. Neto

Boas noites a todos. O estilo que lhes apresentarei é meio diferente, e na verdade tem estado na minha mente fazê-lo por algum tempo. Infelizmente, toda a minha energia criativa e tempo escrevendo acabava indo para o Wasteland (meu último conto. Se você ainda não leu, faça-o agora antes que eu seja obrigado a usar técnicas hipnóticas em você). Mas a ideia é simples: escrever, todo dia, por no máximo dez minutos, um pequeno diário, contendo um resumo do que aconteceu no dia, pensamentos, ideias, ou episódios ficcionais da minha vida. O plano na verdade era treinar escrever todo dia e me acostumar com esse ritmo de trabalho, mas como eu creio que ficará óbvio no texto, isso não deu muito certo. Ainda assim, foi interessante escrevê-lo, e continuarei a fazer esses pequenos diários, mesmo enquanto me dedico a outras obras: quem sabe um dia eu consigo estabelecer um ritmo de escrita um pouco mais razoável? Só algumas observações importantes:

  1. Como esse diário está indo para a internet, não posso, por razões óbvias de senso comum/prático, expor diretamente meus hábitos, pensamentos ou o meu dia. Assim, todo o texto soa meio impessoal, vago (espero que me perdoem por isso, mas realmente não há como contornar esse problema);
  2. A maior parte desse diário é baseado em coisas que realmente ocorreram, mas como eu disse, eu me deixei bem à vontade na hora de escrever, então há trechos puramente ficcionais. Além disso, escrevi mais da metade desse diário atrasado (como eu deixei explícito no texto), então existem trechos que podem ser pura fantasia e eu acreditar que eles realmente ocorreram. Mas como não há (imagino eu) meios de vocês descobrirem a verdade verdadeira, não me preocupo muito (a não ser que você seja um espião da CIA. Ou do MI-6. Ou da KGB. Ou um espião qualquer. Nesses casos, estou preocupadíssimo);

Boa leitura e boas noites.

 

05/07/2013

Querido diário,

Acordei indisposto para o trabalho e menos ainda para o cumprimento de tarefas (infelizmente obrigatórias), graças ao meu travamento em um projeto pessoal que me vem pressionando constantemente. Felizmente a minha ritual postagem no máfia já estava pronta. Ainda assim, não foi suficiente. O dia só passou por conta do meu acúmulo de atividades necessárias. Mas à noite, houve duas luzes no fim do túnel: vi respostas às minhas perguntas sobre tal projeto pessoal (de modo que pude elaborar um plano de ação que, se nada der errado, dará certo) e tive uma conquista pequena e insignificante, o que me elevou o espírito e me deu nova esperança. O que foi essa resposta e o que foi essa pergunta e o que foi essa conquista? Talvez, caro diário, não lhe interesse saber. Eu sei que mesmo falando a você, que nada mais é do que um conjunto de bytes, eu posso ser incrivelmente maçante em meus detalhes pessoais.

06/07/2013

Querido diário,

Preguiça foi a palavra do dia. Mesmo sabendo o que era necessário ser feito, no fim, não o fiz. Temo que amanhã também isso aconteça. Se houve algo bom foi que descobri: um talento inesperado para tocar bateria; uma banda nova de um parente ligeiramente distante; e que vivi a minha vida de maneira errada por algum tempo. Talvez isso já tenha feito o dia valer a pena. Talvez não.

07/07/2013

Querido diário,

Sinto que já rompi o seu propósito pelo simples fato de estar registrando na data de hoje as memórias do que ocorreu há três dias. Escrevo do futuro, ou melhor, do passado. Talvez deva dizer que você está mais para um livro de memórias do que para um diário, mas enfim, não importa, lembro-me com certa lucidez dos eventos dos últimos três dias. Mais ou menos. Deste dia, por exemplo, eu só me lembro que a preguiça prosseguiu forte.

08/07/2013

Querido diário,

Sigo a minha série de memórias, agora um tanto mais claras. Voltei forçadamente ao trabalho, o que na verdade me fez muito bem. Descobri não estar no esmo pique de semana passada e que minhas esperanças e aspirações estavam infundadas quanto à realização de meus trabalhos. Terei de pensar de modo diferente (pois até agora, dia 10/07, não consegui efetivamente resolver nada).

09/07/2013

Querido diário,

Esse dia 09/07 foi um bem interessante e agradável. Ocupei-me o dia inteiro, de modo que a preocupação não me bateu a porta. O frango do almoço estava uma delícia. Foi feriado, o que por si só já torna o dia mais agradável (mesmo quando há muito a se fazer, vários discordam, mas é essa a minha opinião). E pra completar, tive uma agradável surpresa, ao receber mais do que esperava em determinada ocasião (infelizmente não era dinheiro ou livros ou chocolate, mas foi bom mesmo assim). A parte ruim foi que lavei a louça do almoço do frango delicioso.

10/07/2013

Querido diário,

Repito aqui o detestável hábito protelador que demonstrei alguns dias atrás. Escrevo-lhe do dia 12/07. Tentarei ser fiel a todos os importantíssimos eventos daquele dia, e do próximo (11/07 do ano da Graça de 2013). Sobrou frango do dia anterior. Ainda estava delicioso. À noite, houve bolo. De chocolate. Estava delicioso ao ponto de eu gastar 15 minutos sobre a beleza do universo (o que resultou em 23 horas e 45 minutos refletindo o quanto ele é injusto e cruel).

11/07/2013

Querido diário,

Serei sucinto aqui. Corri um grande risco no trabalho. Arrependo-me profundamente dele, mas não tenho certeza dos seus efeitos negativos. Talvez isso venha mais tarde. Talvez não. Também descobri uma conspiração terrível, que se perpetrada mudará de maneira decisiva o nosso estilo de vida. Mas também não tenho certeza sobre nada disso. Então não escrevi nada a respeito (além, óbvio, dessas linhas mal escritas que vocês, gentis leitores, conseguem aturar).

 

Cinerus H. Luper – O espelho de Afrodite II (Aton)

Mil perdões por este atraso crasso, mas creio que, se pudesse atrasar mais uma semana, o faria. Acho que falta muita coisa neste texto, mas em prol da dinâmica da narrativa tive que contar os diálogos e as observações que o Cinerus faz. Espero poder trazer tudo isso de volta em algumas semanas, mas, enquanto isso, boa leitura!

O espelho de Afrodite

parte II

Um quarto me aguardava com pilhas de papel que iam do chão ao teto. Todas com os nomes e as imagens riscadas, não que isso pudesse me impedir de deduzir quem eram os envolvidos. Ali haviam relatos que iam desde pequenas trocas de favores políticos em subdistritos interioranos até transações trilhonárias. Cerca de 2/3 daquilo que o Brasil recolhia, destinado a corrupção. Ou seja, um déficit de, aproximadamente 5 trilhões de reais. O suficiente para ter colocado o país como 2ª maior economia do mundo. Tudo isso relacionado com aquela mulher.

Vi as gravações de segurança e, após algumas horas de busca, encontrei as seguintes pistas: um terno e um vestido no fosso do elevador, dois funcionários que reclamavam terem tido seus uniformes roubados, o faxineiro que dizia que o lixo havia sumido, uma lapso de trinta segundos em dois momentos nas gravações das câmeras e, finalmente, um brinco caído próximo a lixeira externa do prédio. Basta saberem que ao final deste relato, meus fugitivos estão nove dias, sete horas e quarenta e dois minutos na minha frente.

Eis a minha teoria mais provável. A forma de escape foi realmente singular e ágil, mas não muito distinta do trivial. No momento em que retornavam ao quarto pelo elevador, as câmeras foram congeladas pela fração de trinta segundos.

Um tempo pequeno, mas suficiente para quem já estivesse com tudo planejado a um bom tempo. Subiram pela saída de emergência do elevador, onde havia um pacote de roupas com os uniformes dos serventes da embaixada. Não duvido que ela tenha o tenha posto ali durante a madrugada, ou qualquer outro horário menos movimentado e mais difícil de detectar o congelamento das câmeras. Vestiram-se ali mesmo.

O elevador parou no andar de serviço. Novamente as câmeras congelaram – Algum dispositivo de controle remoto havia sido instalado no computador da segurança, creio, embora essa seja uma manobra bem simples, não detectada pelo despreparo técnico – Desceram e saíram pela porta dos fundos carregando o lixo para disfarçar. Atrás da lixeira, malas de viagem estavam escondidas. Trocaram-se novamente. Nesse ponto ela deixa cair seu brinco.

Daí em diante estão livres para ir a qualquer parte do mundo. Creio, porém, que a hora escolhida para a fuga deva ter sido a mais próxima possível do voo que os levaria para local de destino. Considerando que a embaixada situa-se de quinze a trinta minutos do aeroporto e o número de voos internacionais válidos nesse tempo, cheguei a três possibilidades: Equador, Suíça, Austrália.

Obviamente a Ásia e a África estariam fora de questão, tanto pela indisponibilidade de paraísos fiscais confiáveis, como pelo fato de que pessoas com tamanha riqueza chamariam muita atenção. Assim sobra Europa e América do Norte, que são mais rigorosos de se entrar com documentos falsos, de forma que só valeria a pena arriscar por uma boa quantia de dinheiro, certamente escondida na Suíça.

Dos países Americanos disponíveis, o Equador era o mais propício a receber “turistas” e certamente mais fácil de obter outros documentos ilegais e partir para o próximo local, diferentemente da Austrália, cujos aeroportos poderiam identificá-los rapidamente.

Além de que essa é uma mulher esperta. Se ela está jogando com a cabeça dos investigadores, os faria perder tempo induzindo-os aos erro. Suíça é uma resposta óbvia demais. Parti para o Equador.