Medo (ATON)

Medo

Era uma pequena criança.
Com medos de criança.
Em seu pequeno mundo de criança.
E envolta desse mundo, construiu um muro.
Pobre ser, achava que se protegia.
Acontece que, em um belo dia,
a criança cresceu.
E seu pequeno espaço já não era suficiente.
Olhou por cima das paredes que o cercavam.
E viu:
seu mundinho, ser apenas uma ilha perdida num vasto oceano.
E viu:
pontes e mais pontes entre outras ilhas distantes.
Então percebeu:
era um pequeno adulto,
com medos de criança.
Percebeu que, cedo ou tarde,
todos temos que navegar.
Viver ali, como estava,
era inútil.
Viver não é preciso;
navegar é preciso.
Talvez já fosse tarde para isso.
Talvez não conseguisse ir tão longe, afinal.
Talvez morresse no meio do caminho.
Mas aquele mundinho de criança,
aquela ilhota de criança,
já não servia mais.
Ele cavou pelo muro um caminho.
Caiu na água.
e…
Talvez tenha nadado,
talvez tenha se afogado…
Agora era um grande adulto.
Com medos de criança.
Talvez tenha construído uma ponte.
Talvez ainda volte para lá.
Porque, no fim das contas,
todos os medos de adulto,
todos os medos do mundo,
são medos de criança.
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