O Mármore do Inferno (ATON)

O Mármore do Inferno

Olha para a pedra fria do mármore,

rija, retangular…

Põe nela tua alma

e esculpe tua história.

Esmigalha-te no bater do martelo,

no lascar da broca.

Faz das batidas do teu coração

o propulsor da mão lasciva que quebra!

Arrebenta teus vértices,

destrói tuas superfícies planas,

transforma teu sangue, tuas lágrimas,

no pó que fazes do  mármore.

Sulca com afinco,

nos veios salientes da rocha,

teus mais vivos desejos.

Desfacela-te a miúde,

desfere cada golpe contra teu próprio ser,

como se fosse tua última chance de salvação.

Vê nesse frenesis o controle de teu caminho,

e lentamente conduze teu retorno ao pó.

Vê nesse teu sofrimento,

o baque dessa pedra que racha.

Deixa-te erudir pelas intempéries do tempo!

desgastar-te nas tempestades,

suaviza tuas curvas, tuas saliências ríspidas.

Deixa o quente e o frio arredondarem teus cantos,

Faz de ti tua magnum-opus,

aconchega-te no desconforto da criação,

e transforma cada trauma teu,

numa indelével marca no mármore.

Tortura tua alma presa na pedra fria,

e faz deste inferno,

um inferno digno de admiração.

Michelangelo_Moses

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