Diário homeopático nº1 _-_Por Claus P. Neto

Boas noites a todos. O estilo que lhes apresentarei é meio diferente, e na verdade tem estado na minha mente fazê-lo por algum tempo. Infelizmente, toda a minha energia criativa e tempo escrevendo acabava indo para o Wasteland (meu último conto. Se você ainda não leu, faça-o agora antes que eu seja obrigado a usar técnicas hipnóticas em você). Mas a ideia é simples: escrever, todo dia, por no máximo dez minutos, um pequeno diário, contendo um resumo do que aconteceu no dia, pensamentos, ideias, ou episódios ficcionais da minha vida. O plano na verdade era treinar escrever todo dia e me acostumar com esse ritmo de trabalho, mas como eu creio que ficará óbvio no texto, isso não deu muito certo. Ainda assim, foi interessante escrevê-lo, e continuarei a fazer esses pequenos diários, mesmo enquanto me dedico a outras obras: quem sabe um dia eu consigo estabelecer um ritmo de escrita um pouco mais razoável? Só algumas observações importantes:

  1. Como esse diário está indo para a internet, não posso, por razões óbvias de senso comum/prático, expor diretamente meus hábitos, pensamentos ou o meu dia. Assim, todo o texto soa meio impessoal, vago (espero que me perdoem por isso, mas realmente não há como contornar esse problema);
  2. A maior parte desse diário é baseado em coisas que realmente ocorreram, mas como eu disse, eu me deixei bem à vontade na hora de escrever, então há trechos puramente ficcionais. Além disso, escrevi mais da metade desse diário atrasado (como eu deixei explícito no texto), então existem trechos que podem ser pura fantasia e eu acreditar que eles realmente ocorreram. Mas como não há (imagino eu) meios de vocês descobrirem a verdade verdadeira, não me preocupo muito (a não ser que você seja um espião da CIA. Ou do MI-6. Ou da KGB. Ou um espião qualquer. Nesses casos, estou preocupadíssimo);

Boa leitura e boas noites.

 

05/07/2013

Querido diário,

Acordei indisposto para o trabalho e menos ainda para o cumprimento de tarefas (infelizmente obrigatórias), graças ao meu travamento em um projeto pessoal que me vem pressionando constantemente. Felizmente a minha ritual postagem no máfia já estava pronta. Ainda assim, não foi suficiente. O dia só passou por conta do meu acúmulo de atividades necessárias. Mas à noite, houve duas luzes no fim do túnel: vi respostas às minhas perguntas sobre tal projeto pessoal (de modo que pude elaborar um plano de ação que, se nada der errado, dará certo) e tive uma conquista pequena e insignificante, o que me elevou o espírito e me deu nova esperança. O que foi essa resposta e o que foi essa pergunta e o que foi essa conquista? Talvez, caro diário, não lhe interesse saber. Eu sei que mesmo falando a você, que nada mais é do que um conjunto de bytes, eu posso ser incrivelmente maçante em meus detalhes pessoais.

06/07/2013

Querido diário,

Preguiça foi a palavra do dia. Mesmo sabendo o que era necessário ser feito, no fim, não o fiz. Temo que amanhã também isso aconteça. Se houve algo bom foi que descobri: um talento inesperado para tocar bateria; uma banda nova de um parente ligeiramente distante; e que vivi a minha vida de maneira errada por algum tempo. Talvez isso já tenha feito o dia valer a pena. Talvez não.

07/07/2013

Querido diário,

Sinto que já rompi o seu propósito pelo simples fato de estar registrando na data de hoje as memórias do que ocorreu há três dias. Escrevo do futuro, ou melhor, do passado. Talvez deva dizer que você está mais para um livro de memórias do que para um diário, mas enfim, não importa, lembro-me com certa lucidez dos eventos dos últimos três dias. Mais ou menos. Deste dia, por exemplo, eu só me lembro que a preguiça prosseguiu forte.

08/07/2013

Querido diário,

Sigo a minha série de memórias, agora um tanto mais claras. Voltei forçadamente ao trabalho, o que na verdade me fez muito bem. Descobri não estar no esmo pique de semana passada e que minhas esperanças e aspirações estavam infundadas quanto à realização de meus trabalhos. Terei de pensar de modo diferente (pois até agora, dia 10/07, não consegui efetivamente resolver nada).

09/07/2013

Querido diário,

Esse dia 09/07 foi um bem interessante e agradável. Ocupei-me o dia inteiro, de modo que a preocupação não me bateu a porta. O frango do almoço estava uma delícia. Foi feriado, o que por si só já torna o dia mais agradável (mesmo quando há muito a se fazer, vários discordam, mas é essa a minha opinião). E pra completar, tive uma agradável surpresa, ao receber mais do que esperava em determinada ocasião (infelizmente não era dinheiro ou livros ou chocolate, mas foi bom mesmo assim). A parte ruim foi que lavei a louça do almoço do frango delicioso.

10/07/2013

Querido diário,

Repito aqui o detestável hábito protelador que demonstrei alguns dias atrás. Escrevo-lhe do dia 12/07. Tentarei ser fiel a todos os importantíssimos eventos daquele dia, e do próximo (11/07 do ano da Graça de 2013). Sobrou frango do dia anterior. Ainda estava delicioso. À noite, houve bolo. De chocolate. Estava delicioso ao ponto de eu gastar 15 minutos sobre a beleza do universo (o que resultou em 23 horas e 45 minutos refletindo o quanto ele é injusto e cruel).

11/07/2013

Querido diário,

Serei sucinto aqui. Corri um grande risco no trabalho. Arrependo-me profundamente dele, mas não tenho certeza dos seus efeitos negativos. Talvez isso venha mais tarde. Talvez não. Também descobri uma conspiração terrível, que se perpetrada mudará de maneira decisiva o nosso estilo de vida. Mas também não tenho certeza sobre nada disso. Então não escrevi nada a respeito (além, óbvio, dessas linhas mal escritas que vocês, gentis leitores, conseguem aturar).

 

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