Ensaio Apolíneo (ATON)

Ensaio Apolíneo

Olá, eu sou um deus. Não, espere, não sou “O” Deus Maiúsculo. Sou a personagem de “um deus”, aquele do Nietzesche, sabe? O que morreu… É, esse mesmo. Mas como? Explicarei mais abaixo. Por enquanto, chamar-me-ei de Apollo (sim, como todo bom profeta usarei mesóclises em excesso), não que haja algo de especial nesse nome, qualquer outro serviria, Bob, por exemplo. Acontece que as pessoas gostam muito de nomes, embora pudessem viver muito bem sem eles.

Enfim, a minha morte, falar-lha-emos agora (olha só). Esse filosofozinho alemão, o maior de todos, Nietzesche, declarou meu óbito com a incrível perícia dos médicos legistas (dã?). Mas não é a ele a quem concedo o crédito de carrasco, e sim a um outro, o Descartes. Não só fez do ensino fundamental um inferno, como elucidou o princípio de existência supremo: “duvido, logo penso. Penso, logo existo”.

Ora, se eu sou um deus, e eu existo, eu penso. Se eu penso, eu duvido… Mas eu sou um deus?! Então, eu não tenho certeza de tudo, não sou onisciente. Consequentemente, existindo “objetos” alheios a minha sabedoria, não posso ser onipotente, uma vez que não os conhecendo, não posso reproduzi-los. E, portanto, esses “objetos” existem contrários a minha vontade, não fazendo parte de minha criação, de forma que eu não estou presente em suas existências, não sendo onipresente.

Sendo assim, Se eu sou um deus, eu não sou um deus ao mesmo tempo. Seu eu existo, eu não existo. Se eu sou intangível, eu posso ser qualquer um. Posso ser você, inclusive. Mas enfim, pra que venho eu, do meu túmulo, “perturba-lhes

-ando” (erro proposital ~haters gonna hate~) com essas considerações imbecis? Para falar de algo igualmente imbecil: O Brasil.

Eu sei. Antipatriotismo ultimamente não anda na moda. Mas não há muita coisa para se importar quando se está vivo/morto. Comecemos (de novo) falando de lógica. Aborrecê-los-ia também ser morto por uma linha de argumentação impecável, fruto de uma grande capacidade de raciocínio, já existente no sec. XVII, mas, quatro séculos depois, ver tamanha ignorância ainda existir. Mais que ignorância, incoerência.

R$0,20 insuflaram a “consciência” “política” (ironias distintas) dos brasileiros uns meses atrás. Mas, quando os maiores bandidos do país recebem um aval para a impunidade, o que é feito? Muito bem, nada. E os Trilhões que continuarão sendo roubados? Isso não é odioso, revoltante, digno de protesto?

Falo do julgamento do mensalão. Tão revoltante que até um deus se revira em sua cova, levanta-se e dá um tapa no rosto mascarado na nação. Esses que, no dia seguinte, jogaram pedaços de pizza no prédio do STF, tem uma suíte presidencial cativa no céu e mais cem anos de perdão. Nação que pune ladrão, tem mil anos de evolução! Enquanto aqueles que dizem “o gigante acordou”, dizer-lhes-ei (ok, isso já me cansou) que esse gigante é, muito provavelmente, uma criança mimada que se irritou com algo que lhe foi negado/imposto, mas que, contudo, não sabe pelo que, de fato, vale a pena “Chorar”.

AH! Fossem outras épocas, quando eu ainda era vivo, teriam vindo pragas, dilúvios, catástrofes. Fossem outras épocas, talvez eu nem precisasse ameaçar destruir o mundo, os homens o fariam sozinhos, e de bom grado! Mas hoje, “jogaram mentos na geração coca-cola” e agora ela está “sem gás”. O pior, eu avisei. Não, o autor deste texto avisou. Mas concordo com ele. Sabe, quando Nietzesche confirmou meu óbito, certamente havia ali toda sua raiva contra a religião, mas sua proposta era criar cinco minutos, para que as pessoas se sentissem deusas de si, propelidas a mudar o que vissem de errado. Hoje, nem sequer minha existência é questionada…

Temos um grande avanço na ciência, é fato. Mas, infelizmente, a ciência só é boa para os cientistas. Não para essas mulas que acreditam serem inteligentes, revolucionárias, corretas, apenas por criarem um evento no facebook. Meu caro leitor, você será sempre ignorante (O autor deste texto incluso), e essa é a lição mais difícil desta vida. O conhecimento, por enquanto, é infinito. Não há, portanto, certezas concretas, apenas opiniões menos/mais orientadas pela lógica. E, meu amigo, a lógica me matou. É lógico que, quem realmente está lutando por um brasil melhor, já teria saído às ruas, se o alvoroço dos R$0,20, algo muito menor, já o fizera.

Só que isso não foi observado. Imagina o por quê?

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