Resenha “O caso dos dez negrinhos” (Agatha Christie) – Por Claus P. Neto

Boas tardes.

Perdão pela minha abstinência no site nas últimas duas semanas. Estou com um bloqueio criativo nervoso, e até agora não me recuperei. Eu simplesmente sentava, escrevia três linhas, achava ruim e apagava. Não consegui que nenhum texto (crônica, conto,poema, etc.) saísse das linhas introdutórias. Não estou muito melhor agora, portanto apelarei para uma saída covarde, mas que eu queriaaplicar já há algum tempo: resenhas literárias. Lógico, não somos um site especializado em críticas desse tipo, mas na condição de um blog especializado em literatura, penso que é adequado dar, vez por outra, sugestões sobre livros que nos influenciaram/influenciam, quer no modo deescrever, quer no modo de ser. Além do mais, isso não demanda muito esforço criativo, o que na atual conjectura me favorece. Só um pequeno aviso: não sou crítico especializado. Sei como resenhar, mas não tenho o faro especializado de um profissional. Boa parte do que vou colocar aqui é a minha impressão pessoal/emocional da obr, não uma resenha propriamente dita. Assim, perdoem meus eventuais erros técnicos e julgamentos imparciais que eu irei cometer. Caso você tenha uma visão diferente ou queira compartilhar a sua opinião sobre o livro, a aba de comentário é toda sua.  E como sempre, boa leitura.

Boas tardes.

Resenha “O caso dos dez negrinhos” (Agatha Christie) – Por Claus P. Neto

A história se passa em uma ilha (cahamada de ‘Ilha do Negro’) particular na costa de um pacífico condado inglês, onde oito pessoas, aparentemente sem nenhuma ligação entre si, são convidadas a passar um fim-de-semana, junto com um casal de criados. Entretanto, logo na primeira noite do grupo na ilha, uma mensagem misteriosa é executada durante o jantar, mostrando um elo comum entre eles: todos, em algum momento de seu passado, estiveram envolvidos em assassinatos. Injuriados pelas acusações, eles decidem ir embora, só para descobrir que estão presos na ilha, já que o barco no continente não pode ir buscá-los devidoao mal tempo. A partir daí, um a um vai sendo assassinado de acordo com um poema grafado no quarto de um dos hóspedes, sem que se saiba a identidade do assassino, até que todos os dez estão mortos. Ao final do livro, é revelado, por carta, quem matou os dez. O título advém do poema (que faz referência a ‘dez negrinhos’) e das dez peças de decoração no formato de negrinhos, que sumiam à medida em que as vítimas morriam.

A genialidade da obra está no modo como a autora conseguiu criar um clima de tensão sem precedentes. Como, por conclusão lógica, o assassino é um dos hóspedes, há sempre um clima de suspense que leva o leitor a supor quem está por trás das mortes, sem que se chegue a uma conclusão. Ou melhor ainda: quem será a próxima vítima. É estupendo o modo como o livro deixa o leitor ansioso pela próxima morte, tentando adivinhar quem irá morrer. É mórbido, mas é verdade: ao ler, você anseia pelo próximo assassinato. E o detalhe mais importante é a aura de mistério absoluta que o livro lança: tanto que mesmo quando sobra apenas uma pessoa na ilha, você não tem mais certeza de quem é o assassino. É uma obra que lança em terra o método de eliminação, e se não houvesse um prólogo explicando o mistério, creio que seria impossível saber quem estava por detrás das mortes. Tudo isso amarrado faz com que no final o leitor esteja de queixo caído, tamanha a ardilosidade da obra.

Esse livro me fez terum respeito maior pela Agathe Christie e pelo gênero do mistério/suspense em geral. Sendo um fã de carteirinha do Arthur Conan Doyle, sempre achei que as histórias dela (principalmenet as que envolviam o detetive Poirot) ficavam muito aquém da qualidade das histórias de Sherlock Holmes, que para mim tinham uma trama mais elaborada e inteligente. ‘O caso dos dez negrinhos’ derrubou de vez essa minha convicção. O modo como a trama foi trabalhada é estupendo. A impressão que me dava era que eu estava o tempo todo raciocinando exatamente como a autora queria que eu pensasse, que eu estava indo na direção que o livro queria me dar. Uma hora, ele me fazia suspeitar de um, depois de outro personagem, até que eu fiquei completamente perdido, para ser deliciosamente surpreendido no final. Poucas tramas são bem trabalhadas ao ponto de conduzir o leitor do modoque essa história conduziu. Essa narrativa foi um lembrete do quanto eu ainda estou longe de armar uma história tão bem elaborada, e do quanto eu ainda preciso praticar. Apesar de eu não escrever mistério/policial, o elemento suspense é essencial em qualquer boa narrativa, e aprendi muito com esse livro. Além disso, ele é fácil de ler, com um ritmo muito bom, e é uma pedida ótima para se ler em um final de semana meio parado, ou em uma viagem.

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