Da amizade

Boas tardes. Alguns incidentes comigo e com Aton promoveram esse hiato entre as publicações, que se estende fazem duas semanas. De minha parte, peço perdão (novamente), embora as circunstâncias tenham sido extraordinárias de fato. Mas enfim, ao texto!

Boas tardes.

Eventos recentes me deixaram inclinado a escrever sobre amizade. Sim, clichê e dramático. Mas acontece que escrevo o que sinto. Preciso disso para fazer meu trabalho com gosto. E acontece que nessas últimas semanas, situações singulares ocorreram entre eu e pessoas de minha amizade. Briguei com umas. Reconciliei-me com outras. Encontrei velhos amigos que há tempos não via e vi amigos próximos se afastarem paulatinamente. Eventos normais na vida de uma pessoa, sem dúvida, mas o fato de que isso me ocorreu em um intervalo de tempo tão curto me colocou a refletir. O que se perde (se é que se perde)? O que se ganha (se é que se ganha)? Foi esse o tipo de pensamento que girou na cabeça desse autor recentemente. Daí minha necessidade de escrever nisso. Espero sua compreensão quanto ao clichê. Nesse caso, ele é um mal necessário, pelo menos para mim.

Muito se escreveu já sobre o assunto. Não tanto quanto sobre o amor (ou o que se pensa dele, já que a maior parte das descrições corresponde à paixão), mas ainda assim, é uma relação humana tão primordial que é quase impossível ser original sobre ela. O que posso dizer é a minha ótica, a minha experiência, que não é muito extensa, devo admitir. Mas se faz necessário, se faz necessário… Comecemos. Um amigo vale mais pelo quanto você chora com ele do que o quanto você ri com ele. É importante compartilhar a alegria, o riso, ou ele perde boa parte do seu valor, mas o pranto é algo íntimo, secreto. Ter alguém com quem repartir dor é de maior valor do que ter alguém com quem repartir um sorriso. Amigos para o riso, creia em mim, não serão tão raros em sua vida, nem tão caros. É fácil compartilhar sua alegria com alguém, mas suas lágrimas? Não. Não suas lágrimas. Não confunda o que acabo de colocar com chorar por um amigo. Apesar de valioso, é inevitável. Nunca vi uma relação próxima entre duas pessoas que não machucasse de vez em quando.

Aliás, outra coisa que ouvi e que procurei guardar sobre o tema: é possível avaliar uma amizade por seus altos e baixos. Não brinquei quando afirmei que é inevitável machucar-se ao se aproximar de alguém. Mas é evitável voltar a se aproximar. É preciso força para fazer as pazes e voltar do ponto onde tudo parou. Não afirmo aqui que amigos necessariamente vivem em guerra entre si e sempre dão a volta por cima (embora se ouça falar de coisas assim). Afirmo que a amizade, apesar de bálsamo, é também desafio. Em certo ponto, vai doer. É necessário altruísmo, sacrifício, caráter para suportar tudo. Como tudo na vida, tem um preço e como tudo de bom na vida, o preço é alto. O que se deve lembrar é que vale a pena pagar, mas isso só você pode decidir.

Amizade afasta o peso da solidão. Traz luz a uma alma escura. Faz você respirar melhor. Faz você viver mais e com mais saúde, se não de corpo, de alma. É possivelmente (e tenho fé nisso) a chave da própria sobrevivência humana. É amor em si mesma. Não paixão (antes que os caros leitores me interpretem errado), amor, na sua mais pura definição: “(…) é paciente, é benigno. Não inveja, nem se vangloria, nem se ensoberbece. Não se porta incovenientemente, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita o mal. Não se alegra na injustiça, mas tem gozo na verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta“.

Nessas linhas, sou obrigado a olhar para mim mesmo e encarar a realidade que, em vários aspectos, não tenho sido um amigo bom. Embora eu possa enumerar infinitas desculpas para esse meu comportamento, no fim, tenho somente a mim mesmo para culpar. Espero mudar a tempo. Aliás, espero mudar. Mas a você, caro leitor, uma pequena nota: seja o amigo que você gostaria de ter ao seu lado. Cultive suas amizades, regue, adube regularmente. Resguarde-se do exagero, mas esteja sempre disponível. Não tenha medo de se abrir com quem você sabe que tem amizade genuína. Não tenha medo de escutar. Aprenda com o outro, mas mais importante: aprenda com você mesmo. Espero que você, caro leitor, encontre um amigo genuíno, se é que já não o achou. Eu sei que achei alguns. Espero que eles tenham achado um em mim mesmo.

 

Por Claus P. Neto

 

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