Um pequeno (grande) desabafo_-_por Claus P. Neto

Boas noites. Como semana passada, tentarei ser breve aqui. Há, entretanto, uma singular diferença dessa semana para a anterior: eu tenho algo sobre o que falar. O atraso do texto foi produto de circunstâncias externas (que deram a este humilde autor uma ótima desculpa). Na verdade, eu nem queria escrever sobre o assunto a seguir, por achar que em boa parte ele já virou notícia velha, mas de novo, circunstâncias (as quais eu acredito que ficarão melhor ocultas) contribuíram para esse desabafo. Faz bem pouco tempo, um vídeo de um assalto que terminou mal para o meliante virou a nova febre da internet brasileira. Nesse ínterim, foi notável ver como a opinião pública se dividiu a respeito do acontecido. Até onde eu pude acompanhar, a maior parte das pessoas achou, no mínimo, justa a ação policial que resultou na internação do assaltante. E sabe o quê? Concordo. Aliás, vou colocar aqui um parênteses, antes de continuar. Por princípio, defendo que toda vida tem um valor sagrado. Em hipótese alguma creio que teria sido bem feito se o ladrão morresse em decorrência dos tiros. Aliás, creio que mesmo os que mais ardentemente deixaram claro nas redes sociais o seu desprezo pelo infrator não teriam coragem de vê-lo perecer (quem dirá puxar eles mesmos o gatilho). O que toda essa situção trouxe à tona, é que o Brasil, em termos de segurança pública, está virando um verdadeiro pesadelo. É incrível como de uns tempos para cá trocamos o temor de, nos anos de chumbo, ser arrastados por nossas convicções políticas e passamos  ter pavor de ser abordado na rua. Até hoje, tenho um medo violento de usar meu celular (um aparelho semi-paleolítico que possui apenas as opções chamada, mensagem, calculadora e calendário) na rua. E porquê? Porque hoje, isso é comum. E o que é pior. Não há justiça. Cheguei ao cúmulo de ouvir de oficiais da PM detalhes de criminosos como apelidos, descrição física e até mesmo de vida pessoal dado ao grande número de vezes em que foram presos…e soltos logo em seguida. Há tanta violência nas ruas, e tãos poucos os casos em que se cumpre algo próximo do justo, que praticamente não há reação mais natural do que aplaudir um policial que, em um caso raro, conseguiu impedir que um vagabundo covarde tomasse o que era de outra pessoa só pelo fato de possuir uma arma de fogo. E antes que algum indivíduo tente advogar pelo referido covarde, já deixo claro aqui: se você acredita que violência vem pela falta de oportunidades, convido-o a pegar o computador, notebook, tablet ou smartphone de onde você lê esse texto e doá-lo gentilmente ao primeiro assaltante sem oportunidade que cruzar seu caminho, de modo que pelo menos com o dinheiro da venda ele tenha “uma oportunidade igual à sua”. Meu amigo, criminalidade ou pobreza não advém de oportunidade ou sua falta. A síndrome do coitadinho não vai ajudar ninguém a sair do buraco de lama em que ele está enfiado ou de impedir que ele tome por força covarde o que é, por direito, de outro: um celular, dinheiro, um ente querido ou sua própria vida. O fato é: aplaudimos demonstrações de justiça feita porque, no dia-a-dia, convivemos com uma realidade deprimente de crime impune. Todos gostaríamos que, em um momento como o que passou o motorista da moto, tivéssemos um PM disposto a intervir em nossa causa. Todos nós gostaríamos de poder andar nas ruas em paz. De sair de casa sabendo que, quando voltarmos, ela estará inteira. Ou então que, mesmo que quaisquer destas coisas ocorresse, fôssemos justiçados por um governo que em tese, tem o dever de nos proteger. E enquanto isso, esse mesmo estado passa a mão na cabeça daqueles que nos põe sob o signo do medo: tanto aqueles que nos abordam na rua com armas à mão, quanto aqueles que, de terno e gravata, sugam vorazmente o dinheiro de nosso hospital, de nossa escola, de nossa segurança, de nossas vidas, e ainda legislam contra aqueles que, com coragem, tentam fazer cumprir algum tipo de justiça. Gostaria que nessas duas esferas, eupudesse viver tranquilo. Mas tudo não passa de um sonho distante, que some faceiro e diáfano diante de meus olhos assim que eu acordo.

Boas noites.

Por Claus P. Neto

1ª Crônica de Um Bardo (ATON)

1ª Crônica de Um Bardo

Olá. Eu sou Um Bardo. Não um musicista, ou artista musical, ou D.J., ou qualquer coisa do gênero, mas UM B-A-R-D-O. E qual é a diferença? Eu tenho poder. Mais poder do que um mago; mais poder do que um bruxo. Veja bem, eu não reproduzo música, eu SOU música. E o que é isso? Música é o próprio universo. Esse conjunto incontável de vibrações e forças: uma sinfônica perfeita, sem orquestra, sem maestro… Apenas uma enorme plateia de surdos e… Um Bardo. Sou eu.

Não entendeu? Bom… Sigamos mesmo assim. Eu não gosto da paz. Não há som na paz, ela é quieta. Mas também não gosto da guerra. A guerra consagra heróis, que pensam ter o direito de cantar em “acapella”, e não existem músicas inteiramente “acapella”. Não. É justamente por isso que escrevo. É meio solitário. Eu vivo séculos e séculos vendo esses surdos dormirem e acordarem, sem se darem conta do gigantesco espetáculo que está logo à frente.

Enfim. Escrevo uma crônica. Estava eu um dia andando pelas ruas de São Paulo. Via ali alguns jovens acéfalos. Protestavam. Não que o ato de o fazerem de fato os denunciasse como tal, mas se via os aspectos clássicos dos acéfalos. Surdos, é melhor chamá-los assim. Provocavam um movimento, certo? E eu gosto disso. Mas como em todo guerra, queriam eles serem heróis. E eu odeio isso. Não existem heróis. Há ações que prejudicam ou beneficiam, desagradam ou não, o próximo, mas isso não faz de ninguém melhor. Continuamos todos apenas plateia.

Eu via ali não a face de quem luta a interminável batalha da justiça, e sim a face de quem quer ser lembrado nos livros de história. A face de quem, como não faz parte do jogo, quer forçar sua entrada. HA. Beethoven compôs 44 peças sendo surdo. Embora antes disso tenha treinado por mais de 20 anos. Esses já surdos de nascença, que mal seguraram um instrumento nas mãos, queriam tomar das mãos do pseudo-maestro (já que não existe um maestro de verdade) a partitura e reescrevê-la toda!

Ah… Como eu queria apoiá-los. Amo novos ritmos, novas melodias. E essa que o governo vem tocando já se repetiu por demasiado tempo. Mas é a única que esses jovens conhecem. Então eu pergunto ao leitor que já chegou até aqui, como poderiam eles compor qualquer coisa diferente? Vê… Aqui pode-se dizer que há paz. E, por isso, as coisas mudam pouco, certo? Visto que a guerra desses jovens levaria a igual padrão de paz. Então… tempo, sangue, paciência, derramados.

Como posso eu ser tão certo disso? Simples. Diga-me, Querido Leitor, qual foi a música que eles levaram às ruas? Por exemplo, “Para não dizer que não falei das rosas” do Vandré, “Cálice” do Chico e do Gilberto, “É proibido proibir” do Veloso, etc… Qual era IDEOLOGIA que eles cantavam? Pois é… Não cantavam. Se dalí fossem destilados os clássicos chavões divulgados pela mídia (escola, saúde, educação, corrupção), nada teriam. Nada…

Eu odeio isso. Havia centenas, milhares, de surdos fazendo seu “acapella” e torcendo que isso os tornassem músicos autônomos. Mas temos aqui um habilidoso pseudo-maestro. Agitou ele sua batuta e jogou ao povo um foco para reclamar e, como uma fada que conduz sua varinha de condão, fez o problema desaparecer, como se fosse aquela massa a verdadeira responsável. HA… foi uma bela piada, e poucos entenderam.

Clássico caso da guerra que faz apenas a paz ficar ainda mais entediante. Obviamente aqueles mais hipócritas vão às ruas até hoje. hmpf… Marx os muniu bem de palavras vãs e difíceis que não servem para fazer música alguma. Aliás, que não servem para nada, senão decorar epitáfios.

 

Máfia das letras (Aton)

Felicitações. tomei a liberdade de escrever como surgiu este nosso singelo blog na crônica de hoje. Na verdade, essa era uma ideia tão óbvia que eu não sei como ainda não fora feita! É um texto mais burocrático, muito menos reflexivo e mais narrativo. Tentarei deixá-lo amigável, mas é um relato meio cansativo, mas vital. Enfim, Boa leitura!

Máfia das letras

Num ponto um pouco menos apagado do mapa, próximo ao quinto dos infernos, mas antes de onde judas perdera as botas, fica a cidade de Urubá (nome meramente descritivo). Na verdade, pode-se dizer que ela, bem como seus habitantes, têm a personalidade de um lanche, desses feitos com pão francês amanhecido, queijo e a carne do almoço da semana passada. Pois é… Lá eu e Claus moramos. O começo de tudo foi alguns anos atrás quando nos conhecemos em uma escola que parecia ter uma ideia promissora de ensino, que no fim mostrou-se tão boa quanto a cidade.

Ainda que o pão que moldava as cabeças dos nossos colegas fossem mais novos, a carne era velha. Não obstante as conversas eram engraçadas, embora tão produtivas quanto essas minhas comparações culinárias. Enfim, um dia tomando banho eu me perguntava o significado da minha ignorância, e do resto dos urubaenses, quando eu cheguei a uma estranha conclusão. Grandes centros urbanos costumam ter uma média de inteligência mais elevada, Por Quê? Simples, a comunicação presente no dia-a-dia dos metropolitanos é centenas de vezes mais intensa.

A quantidade de informação contida nos anúncios, nas placas, nas vestimentas diversificadas das pessoas, et cetera, torna os habitantes de grandes cidades leitores e escritores (verbais ou não) de forma inconsciente. Não é preciso dizer que a grande parte dos meus colegas mal leram outras coisas além dos livros obrigados pelas escolas (e, às vezes, nem isso). Entretanto, eram a elite intelectual de Urubá. Mas como então mudar a cabeça dos meus conterrâneos? Criando um espaço de cinco minutos de leitura diária.

Antigamente, na época do romantismo, grandes livros foram escritos através de folhetins, ganharam uma respeitável audiência e com uma linguagem complexa. Por que não reviver isso na era digital? Não foi necessário nem dez segundos de toda essa explicação e o Claus já topava. Apesar do nosso 1º post ter sido no dia 02/11/2012, já vinhamos discutindo a ideia desde agosto. Fizemos desenhos e tudo para programar a página inicial, porém, para nossa alegria, o wordpress já possuía uma bela ferramenta de customização que poupou muito tempo.

A ideia era escrever livros de verdade, mas a equipe reduzida , o enorme tempo gasto e o desgaste, realmente foram pedras maiores do que esperávamos. Quase tivemos mais membros, mas não deu certo. Ainda muitos planos dormem na gaveta, esperando a oportunidade de dias mais calmos e mais mafiosos para a família.

Faltou explicar como o nome surgiu. Começou com “projeto W” no meu caderno de notas e depois, pelo menos, uns vite outros nomes (que na verdade representaram a maior parte dos três meses que ficamos discutindo sobre como começar). Mas um belo dia um professor começou a reclamar do abuso de radares nas ruas, comparando o serviço de trânsito a uma máfia. Quase instantaneamente o nome formou-se na mente, e não foi necessário nem um segundo a mais para sabermos que esse era o nome.E aqui estamos.

 

O bom e velho Sr. Tempo (aton)

Olá, ávidos mafiosos. Agora sim, uma crônica. Não que eu ache o cotidiano das minhas experiências algo importante, tampouco digno de ser arte. Mas o gênero em si é muito feliz para quem o escreve. Concede inúmeras liberdades ao autor, além de provocar sérias introspecções e conclusões do lado de cá da tela. Bom… Boa leitura!

O bom e velho Sr. Tempo

A maior mentira que já ouvi sobre o Sr. Tempo era a respeito do seu caráter democrático. E não tanto tempo depois, já se ouvia das mesmas bocas infelizes “A vida é murto curta!”, ou então “Eu já vivi de mais…”. Mas aí que está a ironia disso tudo: o “povo” não manda no Sr. Tempo. E este, como livre ser caminha conforme seus desejos. Ele passa, fica um pouco e vai embora, deixando algumas pessoas falando sozinhas e outras sem assunto. Ninguém pode segurá-lo quando decide ir, e quando o faz… passado!

Como podem afirmar que tal grande fascista, esse Sr., é um democrata? Certamente as pessoas não entendem a verdadeira definição de poder, igualdade, ou autonomia, entretanto, classificá-lo como representante de tudo isso é cômico. Dois humanos simplesmente não tem a mesma dose do Sr. Tempo, não a aproveitam da mesma maneira, e, tampouco, têm controle sobre isso. Ele vem, se se interessa por alguém fica e fica até exaurir tudo que pode da vide desse alguém. Aliás Os Alguém’s são outras personagens icônicas da culpa e da malevolência, mas isso é outra história.

 Uma vez eu encontrei esse digníssimo Senhor. Calado, magro e compenetrado… é rouco, por isso fala muito baixo e muito pouco, mas quando o escuta bem, ganha-se uma resposta para a vida inteira. Era um dia meio quente, e a minha meditação já estava se tornando enfadonha do pífio esforço de encontrar a Dona Concentração, aquela velha caduca que não faz nada além de ficar olhando da sua cadeira de balanço pela janela do quanto de cima. Enfim, estava eu nessa guerra, quando O Tempo chegou. Trazia consigo uma caneta e um caderno velho. Além de um chapéu gasto. “Conte… história…”  ele disse entregando-me seus pertences e o chapéu, “Escreva…” completou.

O fiz um café, mas educadamente fez uma mímica para não se preocupasse com ele. “Você é quieto” eu disse; “Sempre… falo…Nunca…escutam”; “Talvez se não demorasse tanto para terminar uma frase…”; “Nunca…escutam…escreva”; “Certamente… o que devo escrever?”; “Tudo”; Obviamente olhei as páginas anteriores e tentei descobrir onde Sócrates ou alguém desse nível tivesse deixado sua marca, mas me lembrei que grego antigo não é o meu forte. Escrevi “fazer ou fazer não, tentar não há – mestre Yoda”. Sério, leu, e me devolveu o caderno, “escrava…você”.

Assim  continuou por um bom tempo. Até que todos os chavões, ditados ou citações haviam saído da minha cabeça então finalmente escrevi “Tudo”. Ele sorriu, arrancou uma página do livro e mais meia. “escreva…a vontade…”. E foi embora. Curiosamente esqueceu o chapéu velho, apesar de ter certeza que ele havia alguma coisa na cabeça quando saiu.

Ora, mas se ele me ouviu, assim como o faz com todos, não seria ele um grande democrata que dá a todos a chance de ganhar algumas páginas de história, das infinitas que existem desde o começo do mundo? Seria, se não tivesse levado a caneta…