J. C. da Silva (ATON)

J. C. da Silva

J. C. da Silva
tinha uma chave em mãos,
e duas portas iguais.
Nada mais.
Uma delas levava ao céu,
a outra ao inferno.
Era o destino de J. C. da Silva
abrir uma delas.
Cruel ideia…
a benção e a maldição
lado a lado, distintas apenas pela sorte,
pela ilusão.
Mas J. C. da Silva não sabia:
a chave abria ambos os caminhos.
E não havia destino algum.
Apenas a escolha. A cruel escolha.
Mas até toda essa história ser esclarecida,
mataram J. C. da Silva.
A chave se perdeu,
ou se perderam dela…
(faz diferença?)
E até hoje tudo tem dois lados indefinidos,
perdidos no meio termo,
de quem nunca foi capaz de transpassar o Hall de entrada
da vida.
E adianta escrever sobre isso?
Adianta refletir agora?
Talvez todos tenhamos essa mesma chave,
em algum lugar secreto,
e tudo que o J. C. queria,
era mostrar que o destino dele,
a qualquer homem serviria…